Equipes buscam vítimas de colisão de trens na Espanha; mortes chegam a 69

Equipes de resgate vasculhavam vagões retorcidos nesta quinta-feira (29) na província de Toledo, em uma difícil busca por vítimas do segundo acidente fatal envolvendo trens de alta velocidade na Espanha neste ano. O número de mortos, por sua vez, subiu para 69, enquanto as esperanças de encontrar mais sobreviventes diminuíam. Leia também: Acidente de trem, dezenas de mortos: entenda o que aconteceu na Espanha hoje Inflação da Espanha atinge 4,9% em setembro, maior nível desde 2023 PIB da Espanha cresce 0,7% no 2º trimestre ante o período anterior Depois que guindastes trabalharam durante toda a noite para levantar partes dos destroços do acidente de quarta-feira, socorristas foram vistos retirando de um dos trens o que parecia ser um corpo envolto em um cobertor na província localizada no centro da Espanha. O líder regional Emiliano García-Page afirmou que o número de mortos havia subido para 69 e que restos mortais foram encontrados durante os trabalhos de resgate realizados ao longo da noite. As operações agora envolvem o uso de guindastes, especialmente em um vagão que ainda estava tombado. "Não acreditamos que possa haver mais vítimas fatais debaixo daquele vagão, mas digo isso com cautela", afirmou. Enquanto isso, os maquinistas espanhóis mantiveram uma greve previamente programada para reivindicar mais investimentos na segurança ferroviária, um dia após o acidente ferroviário mais mortal da Europa desde um descarrilamento ocorrido em 2013, em Santiago de Compostela, na Espanha. A colisão, que ocorreu após outro acidente fatal em janeiro envolvendo as mesmas empresas ferroviárias e a mesma linha, também alterou a campanha para as eleições antecipadas de 29 de novembro, com os líderes dos dois principais partidos espanhóis suspendendo eventos eleitorais. O governo da Espanha decretou três dias de luto nacional pelas vítimas da colisão entre dois trens de alta velocidade. O papa Leão XIV enviou condolências às famílias dos mortos, desejou uma rápida recuperação aos feridos e transmitiu seu apoio e conforto a todos os afetados, informou o Vaticano, acrescentando que ele também incentivou os socorristas a prosseguir com os trabalhos. Entre os feridos, 57 permaneciam hospitalizados, de acordo com as autoridades. O acidente provocou uma grande operação de emergência que, conforme o Ministério do Interior da Espanha, envolveu o envio de mais de 800 militares e policiais, mais de 200 veículos, três helicópteros, um posto de comando móvel, drones, unidades montadas e cães de busca. Com o início das investigações, um juiz de Toledo proibiu a presença de qualquer pessoa que não estivesse envolvida em atividades de emergência, segurança, saúde ou judiciais no local do acidente, estabelecendo uma área de exclusão de dois quilômetros em ambas as direções ao longo da linha ferroviária de alta velocidade Madri-Sevilha. Equipes de resgate prestam atendimento às vítimas de uma colisão entre dois trens perto de Urda, no centro da Espanha AP/Manu Fernández Líderes políticos visitam região do acidente O primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, que viajou a Toledo para participar de uma reunião de acompanhamento e coordenação da resposta à emergência, afirmou que as autoridades estavam trabalhando "dia e noite" para apoiar as vítimas e suas famílias e para "esclarecer até o último detalhe desta tragédia". Enquanto isso, Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, de centro-direita, que atualmente lidera as pesquisas eleitorais, deveria visitar a cidade de Urda, onde moradores se mobilizaram para ajudar nos trabalhos de resgate após o acidente. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha afirmou que, segundo as informações disponíveis até o momento, 42 cidadãos estrangeiros de sete países estavam envolvidos no acidente, dos quais um morreu e pelo menos sete ficaram feridos. O acidente de quarta-feira aumentou a urgência do debate sobre a segurança das ferrovias espanholas, que formam a rede mais extensa da Europa e, até recentemente, eram motivo de orgulho no país. O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, afirmou na quarta-feira que o acidente ocorreu depois que vários trens pararam automaticamente devido a uma falha de sinalização. Em seguida, um trem da estatal Renfe foi autorizado a seguir em velocidade normal, embora houvesse um trem operado pela Iryo parado à sua frente. O Semaf, sindicato espanhol dos maquinistas, afirmou que não queria especular sobre a causa do acidente. "Queremos agir com cautela até termos uma compreensão detalhada do que exatamente aconteceu, para não fazer especulações", afirmou o Semaf em comunicado divulgado na noite de quarta-feira. Os maquinistas manteriam a greve que já estava programada antes do acidente para reivindicar mudanças estruturais na segurança ferroviária, informou o Semaf, acrescentando que estudava novas medidas. A Renfe afirmou que a greve havia provocado transtornos significativos aos serviços ferroviários e que os passageiros poderiam alterar ou cancelar suas passagens gratuitamente, além de serem informados sobre os serviços afetados.

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