Os órgãos reguladores de tecnologia da União Europeia (UE) acusaram nesta sexta-feira (6) a plataforma de mídia social TikTok de violar as regras do bloco para conteúdo on-line devido ao chamado efeito “toca do coelho” (“rabbit hole”) de seu sistema de recomendações, que prende a atenção dos usuários em um fluxo constante de vídeos semelhantes. As empresas de redes sociais estão sob pressão para modificar seus algoritmos em meio a preocupações crescentes em todo o mundo de que suas plataformas estejam contribuindo para uma crise de saúde mental entre crianças, o que levou alguns governos a impor ou considerar proibições de acesso para usuários menores de idade. A Comissão Europeia, que atua como órgão regulador de tecnologia da UE, informou que apresentou acusações, conhecidas como conclusões preliminares, contra o TikTok depois que a empresa deixou de implementar medidas de mitigação proporcionais, razoáveis e eficazes para enfrentar os riscos. Segundo a Comissão, a exposição contínua e repetida a conteúdos sobre tristeza, isolamento ou imagem corporal pode ter efeitos prejudiciais sobre a saúde mental dos usuários. “Cada vez que um usuário rola a tela ou curte um vídeo no TikTok, o algoritmo apresenta mais conteúdos semelhantes, levando os usuários a ciclos de conteúdo dos quais não conseguem escapar facilmente”, afirmou a responsável pela área de tecnologia da UE, Henna Virkkunen, em comunicado. “As conclusões preliminares de hoje mostram mais uma vez que o TikTok precisa intensificar seus esforços para proteger o bem-estar dos usuários, incluindo os menores de idade”, acrescentou. A Comissão afirmou que o TikTok precisa modificar o funcionamento do algoritmo de seu feed “Para Você” e deve se apoiar mais nas preferências expressas pelos usuários, ampliar a acessibilidade e a facilidade de uso dos controles disponíveis e testar regularmente seu algoritmo, entre outras mudanças. Investigação mais ampla sobre o TikTok As acusações foram apresentadas com base na Lei de Serviços Digitais (DSA) da União Europeia, que exige que grandes plataformas on-line adotem mais medidas para combater conteúdos prejudiciais e ilegais em seus serviços. As acusações mais recentes fazem parte de uma investigação mais ampla da UE sobre o TikTok. Em fevereiro, os reguladores europeus acusaram o TikTok de adotar mecanismos de design que estimulam o uso compulsivo da plataforma, de empregar medidas insuficientes para proteger crianças e de dificultar o acesso de pesquisadores a dados públicos. Na ocasião, o TikTok afirmou que essas conclusões preliminares eram “categoricamente falsas” e que tomaria medidas para contestá-las. A Comissão também investiga, separadamente, os chamados efeitos “toca do coelho” provocados pelos sistemas de recomendação do Facebook e do Instagram, da Meta Platforms. Brent Lewin/Bloomberg.
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