‘Quando a chance aparecia, eu nunca estava pronto, mas ia de cabeça’, diz CEO do BTG

Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, nunca imaginou que trabalharia no mercado financeiro. De família de imigrantes, ele contou que o pai veio para o Brasil como refugiado. Seu pai só fez graduação depois que Sallouti já havia nascido. “Ele sempre acreditou muito que a educação era transformacional. E então eu já cresci numa situação totalmente diferente, a gente teve uma vida de classe média, de família empreendedora”, contou na abertura do Prêmio Na Prática 2026, da plataforma educacional incorporada pela área de filantropia do banco. Com o viés da família, Sallouti disse que seu objetivo também era se tornar empreendedor. “Quando você vem de uma família de imigrantes, é raro você ter alguém que tem uma carreira executiva, porque todo mundo tem que empreender, tem que se virar”, disse. “Eu não conhecia nada diferente. Jamais passava pela minha cabeça o que era mercado financeiro.” Sallouti começou no BTG em um estágio de verão e contou que se apaixonou pelo mercado financeiro. Nesse período, conheceu André Esteves, hoje chairman do banco. Depois do estágio, voltou à faculdade, enquanto Esteves se tornava sócio do BTG. Dois anos mais tarde, Sallouti retornou ao banco, inicialmente para trabalhar em áreas de backoffice. “Você fala assim: ‘qual foi o seu diferencial?’. E, sim, trabalhava muito, me dedicava muito. E, quando a chance aparecia, eu nunca estava pronto, mas ia de cabeça, até porque, como um gestor de risco na vida e nos mercados, tem que buscar algumas opções e operações assimétricas”, contou. Questionado pela mediadora sobre as características que busca nos jovens profissionais, o CEO do BTG destacou disciplina, dedicação e resiliência. “Porque, se você pegar minha carreira, ela parece superlinear. Ela foi zero disso. Sempre teve muita frustração, muito desafio, muita oportunidade, e isso requer disciplina, dedicação e resiliência.” Sallouti também comentou as transformações no cenário global. “Hoje a gente vive um ambiente totalmente diferente do que quando ele era mais jovem. Você vive um ambiente global polarizado. Você tem duas, digamos, superpotências brigando por hegemonia. Você tem potências regionais, você tem protecionismo, você tem muito mais conflitos e muito mais guerras”, disse. “Só que a gente tem que navegar nesse ambiente conflituoso.” O executivo avalia que o ambiente macroeconômico global está mais hostil e que o Brasil precisa fazer sua parte para enfrentar esse cenário. “Se a gente não fizer a lição de casa como país, a gente vai sofrer as consequências, porque o ambiente global também mudou.” Ele acrescentou que as mudanças climáticas também já são uma realidade. “Agora a gente vai ter que ver o que é essa nova realidade. Isso tem que entrar no nosso fator de decisão.” Outra transformação que, segundo Sallouti, já faz parte da realidade é o avanço da inteligência artificial (IA). “O que eu estou vendo no banco, a turma fazer com inteligência artificial, o que está melhorando a experiência do cliente, o que está melhorando a eficiência, o que está melhorando a produtividade, coisas que eram impossíveis de fazer. Agora você faz em alguns minutos.” Para Sallouti, “infelizmente o Brasil está cheio de problemas”, e o país precisa de pessoas dispostas a contribuir para sua transformação. “Cada um faz a sua parte. A gente faz a nossa parte no banco, a gente faz a nossa parte Na Prática. ... Cada um faz a sua parte, e com isso a gente vai chegar lá.” O CEO do BTG, Roberto Sallouti Carol Carquejeiro/Valor.

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