A Bradesco Asset, através de Bruno Funchal, CEO, prevê uma interrupção no ciclo de cortes da taxa Selic no início de 2027, caso o fenômeno El Niño gere pressão sobre os preços dos alimentos. O mecanismo econômico reside na dualidade entre choques de oferta (El Niño elevando alimentos, forçando o Banco Central a manter juros para conter inflação) e a desaceleração da demanda (economia mais fraca, que eventualmente justificaria novos cortes). Para o investidor brasileiro, o cenário de juros mais altos por mais tempo no início de 2027 pode valorizar títulos de renda fixa e bancos, mas prejudicar setores de consumo e construção, impactando o IBOV e o BRL. A análise da Bradesco Asset sugere uma postura de "wait-and-see" por parte do Banco Central, priorizando o controle inflacionário antes de impulsionar o crescimento. Historicamente, em 2016, o Brasil enfrentou um cenário de inflação persistente e juros altos, com o Copom mantendo a Selic em 14.25% por longo período devido a pressões inflacionárias, mesmo em um contexto de atividade econômica fraca. O principal gatilho a monitorar será a evolução dos indicadores de inflação de alimentos nos próximos meses e os dados de atividade econômica no final de 2026 e início de 2027. No horizonte de médio prazo, a visão é de um ambiente de juros ainda elevados no primeiro semestre de 2027, com uma tendência de queda no segundo semestre, reconfigurando as oportunidades em renda fixa e variável.
Nas próximas 4-6 semanas, o mercado deve precificar a probabilidade de uma pausa nos cortes da Selic, com atenção aos dados de inflação de alimentos. Se o cenário de El Niño se confirmar, a Selic pode permanecer estável no primeiro trimestre de 2027, com expectativa de retomada de cortes no segundo semestre, caso a economia enfraqueça. O payroll dos EUA em 2026-10-02 será um gatilho para o cenário global de juros, que influencia as decisões do Copom.
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