Quem é Jason Miller, funcionário da Casa Branca que ajudou em fuga de Flávio Bolsonaro

A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos contou com a ajuda de um funcionário do governo americano de Donald Trump. A informação foi divulgada em reportagens dos jornais The Wall Street Journal e The New York Times. Segundo o NYT, Jason Miller, da equipe de comunicações da Casa Branca, providenciou o jato particular que levou Flávio e sua família da Argentina até Miami, na Flórida. Eles desembarcaram por volta das 10h de quarta-feira (28). Miller é um estrategista político e aliado de longa data de Trump. Atuou nas campanhas presidenciais do republicano e, por um período, foi um de seus principais porta-vozes. Ele mantém uma relação próxima com a família Bolsonaro, especialmente com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e já esteve três vezes no Brasil. Quem é Jason Miller e qual sua relação com Trump? Nascido em Washington, Miller é formado em Ciência Política pela Universidade George Washington. Começou a trabalhar na política como assistente no Senado americano e construiu carreira como consultor de comunicação e estrategista de campanhas eleitorais. Ganhou projeção nacional ao integrar a campanha presidencial de Trump em 2016. Posteriormente, voltou a participar da articulação política e da comunicação do republicano, tornando-se um de seus aliados mais conhecidos. Sua atuação envolve a elaboração de estratégias de comunicação, a defesa pública de Trump e a interlocução com veículos de imprensa. Miller também se destacou pela participação em iniciativas digitais voltadas ao público conservador. Além da atividade política, foi diretor-executivo da Gettr, rede social lançada em 2021 como alternativa às grandes plataformas digitais. O serviço ganhou espaço entre apoiadores de Trump e integrantes de movimentos conservadores de diferentes países. Ligações de Miller com a família Bolsonaro A aproximação de Miller com o bolsonarismo remonta ao governo de Jair Bolsonaro. O americano participou de encontros com integrantes da família do ex-presidente e de eventos ligados à direita brasileira. Jason Miller em foto com Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro Reprodução Um de seus principais interlocutores é o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA desde o início de 2025 e mantém relações com políticos e influenciadores conservadores no país. Em uma entrevista à revista Piauí, Eduardo descreveu o americano como uma das principais pontes dele com a Casa Branca. O estrategista também manifestou mais de uma vez apoio público à candidatura presidencial de Flávio. Em maio deste ano, após uma visita do senador a Trump, em Washington, Miller publicou uma mensagem nas redes sociais incentivando os brasileiros a votarem no parlamentar. Na ocasião, afirmou que uma eleição poderia transformar a situação política do Brasil e associou seu apoio a Flávio a críticas ao crime organizado e ao tratamento dispensado a adversários políticos no país. Initial plugin text Após a derrota de Flávio para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, no domingo (25), Miller também repercutiu as declarações do senador sobre o resultado da votação. Em uma publicação nas redes sociais, o americano compartilhou uma versão em inglês do discurso em que Flávio anunciou que pediria a anulação da eleição, o que não foi levado adiante pelo PL. Miller também já fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, especialmente em relação às decisões judiciais envolvendo Jair Bolsonaro e seus aliados. Papel de Miller na saída de Flávio do Brasil Segundo o The New York Times, Miller participou da organização da viagem de Flávio aos Estados Unidos depois que o senador foi alvo de uma medida cautelar determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, tomada no domingo (25), estabeleceu que Flávio deveria entregar seus passaportes em até 24 horas. A determinação ocorreu em meio a duas investigações no STF. Uma delas apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, seu amigo, que está fora do Brasil desde agosto. A outra investiga o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, para o qual Flávio teria solicitado R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ao solicitar a retenção dos documentos, a Polícia Federal (PF) alertou Moraes para o risco de Flávio deixar o Brasil e se estabelecer nos EUA. Os investigadores apontaram que Eduardo poderia oferecer ao irmão condições para permanecer em território americano por um período prolongado. A corporação também mencionou Willer Tomaz, destacando que o advogado teria recursos financeiros para continuar no exterior por tempo indeterminado. Na tarde de segunda-feira (26), Flávio havia divulgado um vídeo afirmando que cumpriria a ordem judicial e negando que pretendesse sair do Brasil. Na gravação, atribuiu a medida a declarações de Eduardo, que havia defendido sua saída do país caso fosse derrotado na eleição presidencial. Nesse contexto, de acordo com o jornal americano, Eduardo procurou Miller neste dia, após tomar conhecimento da ordem de apreensão dos passaportes do irmão. O estrategista republicano teria então providenciado o avião particular que transportou Flávio, sua mulher e suas duas filhas da Argentina até Miami, com escala no Equador, onde desembarcaram na manhã de quarta-feira (28). O The New York Times também relatou, com base em um integrante do governo americano, que Flávio deverá solicitar o green card, documento que permite a estrangeiros residir permanentemente nos Estados Unidos. Segundo essa fonte, o processo deverá receber tratamento acelerado, semelhante ao que teria sido concedido a Eduardo. Miller já foi abordado pela Polícia Federal Em setembro de 2021, Miller foi abordado pela Polícia Federal (PF) no aeroporto de Brasília, quando se preparava para deixar o país. Ele havia participado de um evento conservador e realizado encontros com integrantes da família Bolsonaro. O americano foi ouvido no âmbito dos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos, conduzidos à época por Moraes no STF. Depois do procedimento, foi liberado para seguir viagem. O episódio provocou reação do então presidente Jair Bolsonaro, que criticou publicamente a abordagem ao aliado de Trump durante um discurso nas manifestações de 7 de Setembro daquele ano. Posteriormente, em entrevista ao programa War Room, apresentado por Steve Bannon, ex-estrategista de Trump, Miller fez críticas à atuação do STF e da PF. Ele comparou os poderes da Corte brasileira aos de diferentes órgãos de investigação e Justiça dos EUA e questionou a condução dos inquéritos. Na mesma entrevista, disse ter ficado preocupado com a possibilidade de ser detido no Brasil e relatou que pediu assistência jurídica e contato com a representação diplomática americana durante a abordagem.

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