Taxas de DIs caem com pesquisas e debate eleitoral no Brasil

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) operaram em baixa na segunda-feira no Brasil, revertendo a alta das quatro sessões anteriores. O movimento ocorreu em meio à divulgação de duas novas pesquisas eleitorais e à repercussão do primeiro debate entre os candidatos à Presidência. Por volta das 10h07, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,9%, uma queda de 0,02 ponto percentual em relação ao ajuste anterior de 12,92%. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 apresentou baixa de 0,05 ponto percentual, atingindo 12,84% ante 12,893% na sessão anterior. A pesquisa BTG/Nexus indicou uma redução na diferença entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, passando de 2,8 para 0,6 ponto percentual, com Flávio em 46,5% e Lula em 45,9%. Devido à margem de erro de 2 pontos percentuais, os candidatos estão em empate técnico. Já o levantamento da Atlas mostrou Flávio com 49,8% e Lula com 47,6%, com a vantagem de Flávio caindo de 5,4 para 2,2 pontos percentuais. Neste caso, a margem de erro de 1 ponto percentual mantém Flávio na liderança para além da margem de erro. O debate presidencial, promovido pela Band na noite de domingo, também foi um fator. Flávio responsabilizou Lula pelo endividamento das famílias e criticou os gastos governamentais, enquanto Lula questionou Flávio sobre a adoção do modelo econômico de Javier Milei na Argentina e as consequências para a pobreza. No mercado, a expectativa de maior controle das contas públicas em um eventual governo Flávio, apesar da ausência de propostas concretas de ajuste, é um ponto de atenção. Flávio prometeu congelar dívidas de pessoas físicas por seis meses e jurídicas por um ano, enquanto Lula mencionou a nova fase do programa Desenrola, que prevê a compra de dívidas bancárias com descontos de até 90%. O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, manteve a projeção de inflação para 2026 em 5,22% e elevou a de 2027 de 4,30% para 4,32%. A taxa Selic esperada para o fim de 2026 permaneceu em 13,25% e para o encerramento de 2027 em 12,00%, com a Selic atual em 13,75% ao ano. No cenário externo, os rendimentos dos Treasuries de dez anos estavam estáveis em 5,102%, e o petróleo Brent cedia 1,40%, negociado a US$108,32 o barril.

Análise

O desfecho da trajetória dos DIs e do mercado de ações dependerá das próximas pesquisas eleitorais, dos debates presidenciais e da eventual apresentação de planos econômicos detalhados pelos candidatos. A decisão de juros do FOMC em 28 de outubro de 2026 e o relatório de emprego dos EUA em 06 de novembro de 2026 também influenciarão o sentimento global de risco.

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