Citi rebaixa Magalu (MGLU3) por juros altos e destaca 4 ações favoritas do varejo

A reeleição surpreendente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada levou o Citi a revisar sua estratégia para o setor de varejo e consumo no Brasil. Após a forte reprecificação dos ativos domésticos e a disparada dos juros futuros de longo prazo, o banco abandonou a postura mais agressiva adotada antes do segundo turno e passou a recomendar uma abordagem mais defensiva, privilegiando empresas com demanda mais resiliente, balanços sólidos, exposição internacional e menor dependência do ciclo econômico brasileiro. Segundo o Citi, a alta dos juros futuros após a eleição reduziu significativamente as chances de uma nova reprecificação positiva do setor no curto prazo. O banco destaca que a taxa DI para janeiro de 2035 saltou de 12,7% antes do segundo turno para cerca de 15,5%, refletindo preocupações com o cenário fiscal. Enquanto o governo não apresentar um plano considerado mais crível para as contas públicas, os analistas veem espaço limitado para uma recuperação consistente das ações de varejo. Nesse novo contexto, a principal escolha do Citi passou a ser a Smart Fit (SMFT3), seguida por Alpargatas (ALPA4), Vivara (VIVA3) e Lojas Renner (LREN3). O banco argumenta que essas companhias combinam características defensivas, menor exposição à deterioração do consumo e estruturas financeiras consideradas mais robustas. A mudança de visão ficou evidente em duas alterações importantes de recomendação, com o Citi rebaixando as ações do Magazine Luiza (MGLU3) de compra para neutra, enquanto elevou a recomendação da Alpargatas (ALPA4) de venda para compra. Para os analistas, juros elevados por mais tempo representam um desafio particularmente relevante para o Magazine Luiza devido à sua alavancagem e à sensibilidade aos custos de financiamento, tornando menos clara a trajetória de recuperação dos múltiplos da companhia. Em contrapartida, o banco avalia que a forte correção recente das ações da Alpargatas melhorou significativamente a relação entre risco e retorno. O Citi destaca a força global da marca Havaianas, a relevante exposição às exportações e mercados internacionais, além de um balanço sólido e histórico consistente de execução operacional. : Ações de varejo desabam após as eleições – queda abriu oportunidades na Bolsa? O Citi também promoveu uma ampla revisão de preços-alvo em sua cobertura para refletir um cenário de juros elevados por mais tempo. Entre as maiores reduções estão Magazine Luiza (MGLU3), cujo preço-alvo caiu de R$ 14 para R$ 6, Assaí (ASAI3), de R$ 14 para R$ 9, e Azzas 2154 (AZZA3), de R$ 30 para R$ 24. O banco também cortou as projeções para C&A (CEAB3), de R$ 17 para R$ 12, Natura (NATU3), de R$ 8 para R$ 5,80, Riachuelo (RIAA3), de R$ 14 para R$ 10, e Smart Fit (SMFT3), de R$ 37 para R$ 30. Nas ações que permanecem entre as preferidas do banco, os ajustes foram mais moderados. O preço-alvo de Lojas Renner (LREN3) foi reduzido de R$ 18 para R$ 14, enquanto Vivara (VIVA3) passou de R$ 38 para R$ 30. Já a recomendação de compra para Smart Fit (SMFT3), que segue como principal escolha do Citi no setor, foi mantida apesar do corte do preço-alvo de R$ 37 para R$ 30. Na avaliação do banco, essas empresas continuam apresentando características defensivas e maior capacidade de preservar resultados em um cenário de crescimento econômico mais fraco e juros elevados. Já para Alpargatas, houve leve redução de R$ 16 para R$ 14. O cenário macroeconômico traçado pelo Citi para 2027 permanece desafiador. Os economistas da instituição mantiveram a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 1,4% e inflação medida pelo IPCA em 4,3%, mas passaram a projetar um real mais depreciado, com câmbio de R$ 5,46 por dólar ao fim do próximo ano. Mesmo com a moeda mais fraca, a expectativa continua sendo de uma Selic média de 13,5% em 2027, com cortes graduais apenas na segunda metade do ano. Leia também Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe e tenta quebrar sequência de 6 quedas Bolsas dos EUA avançam com onda democrata dominando as eleições A manutenção dos juros em níveis elevados levou o Citi a aumentar as estimativas de custo da dívida, principalmente para empresas mais alavancadas. Como resultado, os maiores cortes nas projeções de lucro para 2027 ocorreram em Assaí (ASAI3) e Magazine Luiza (MGLU3). O banco também reduziu suas estimativas para Natura (NATU3), destacando que grande parte da dívida da companhia está indexada ao CDI por meio de operações de hedge. Apesar da mudança de postura, o Citi continua vendo valor em algumas empresas do setor. No caso da Lojas Renner, por exemplo, o banco mantém visão positiva para o longo prazo, embora reconheça que o desempenho no curto prazo pode seguir pressionado por um consumidor mais fragilizado e pela concorrência crescente de plataformas internacionais. The post Citi rebaixa Magalu (MGLU3) por juros altos e destaca 4 ações favoritas do varejo appeared first on InfoMoney.

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