Cepêra compra dona da Colonial e amplia investimento

Cepera Reprodução A Cepêra, fabricante de molhos, condimentos e conservas, assinou contrato para comprar o controle da Karambi Alimentos, dona da marca mineira Colonial, de extratos de tomate, e planeja elevar os investimentos industriais em quase 50% até 2028. A companhia pretende investir R$ 30 milhões em 2027 e R$ 35 milhões em 2028, ante os mais de R$ 24 milhões previstos para 2026. A aquisição, revelada em primeira mão ao Valor, marca a entrada da empresa em uma estratégia de crescimento por compras de outras operações. O valor da transação não foi divulgado. A conclusão do negócio está prevista para outubro ou novembro. A compra inclui a marca Colonial, a fábrica em Itacarambi, no norte de Minas Gerais, e a estrutura comercial da Karambi. Segundo a Cepêra, é a primeira vez que a companhia adquire uma operação completa, com marca, unidade industrial e equipe. O plano de investimentos também ganha ritmo. Entre 2023 e 2026, os aportes anuais da Cepêra passaram de R$ 19 milhões para mais de R$ 24 milhões, alta de cerca de 26%. Para 2027 e 2028, a empresa prevê desembolsar R$ 65 milhões, montante equivalente a quase 80% do total investido no ciclo anterior de quatro anos. A aquisição amplia a presença da Cepêra em Minas Gerais, mercado em que a companhia vinha reforçando sua estrutura comercial. Nos últimos meses, montou uma equipe dedicada ao Estado, liderada por um gerente regional, para estreitar o relacionamento com grandes redes de supermercados e atacarejos. A empresa já atua em Belo Horizonte e região metropolitana, no Sul de Minas e no Triângulo Mineiro. A Colonial deve acelerar esse avanço. Segundo a Cepêra, a marca é a segunda mais consumida em extrato de tomate em Minas Gerais e chega mensalmente a mais de 5 mil pontos de venda no Estado. A compradora pretende aproveitar essa capilaridade para ampliar a distribuição de seu próprio portfólio na região. Em contrapartida, a Colonial poderá usar a estrutura logística e o relacionamento da Cepêra com o varejo nacional para alcançar novos mercados. “Escolhemos Minas Gerais para dar o primeiro passo na nossa estratégia de aquisições porque acreditamos no potencial do Estado, tanto no consumo quanto na produção agrícola”, afirmou o CEO da Cepêra, Décio Costa, em nota. A fábrica de Itacarambi tem 81 mil metros quadrados e capacidade para processar até 35 mil toneladas de tomate por ano. A matéria-prima é fornecida por perímetros irrigados do Vale do São Francisco. Segundo a Cepêra, a unidade passará por modernização e terá sua capacidade ampliada. A empresa também avaliará a possibilidade de produzir outras linhas de seu portfólio no local. A Colonial continuará como marca independente, com receitas próprias e produção mantida em Itacarambi. João Vidigal, sócio e diretor comercial da Karambi, afirmou que a Cepêra dará à marca um alcance que os atuais sócios “levariam muito mais tempo para conquistar” sozinhos.

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