A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2026 deve provocar uma forte reprecificação dos ativos brasileiros nesta segunda-feira (26), na avaliação do JPMorgan. O banco afirma que o resultado contrariou tanto as pesquisas mais recentes quanto os mercados de apostas, que atribuíam cerca de 75% de probabilidade de vitória ao candidato Flavio Bolsonaro. Em relatório divulgado após o segundo turno, o JPMorgan destaca que o mercado havia incorporado um cenário de mudança de rumo econômico e, por isso, espera uma reação negativa expressiva nos ativos domésticos diante da continuidade das políticas econômicas. O banco avalia que a vitória de Lula reduz as perspectivas de alterações relevantes na condução da política econômica nos próximos anos. Entre as principais questões a serem monitoradas daqui para frente, os estrategistas citam a reação da oposição ao resultado eleitoral, a composição da nova equipe de governo e a resposta dos mercados financeiros, especialmente sobre como o comportamento dos ativos poderá influenciar as decisões de política econômica. Bolsa pode cair até 20% Na estratégia para ações, o JPMorgan projeta uma deterioração significativa nas avaliações do mercado brasileiro. Segundo o banco, o múltiplo preço/lucro projetado da bolsa, que encerrou a sexta-feira em 9,7 vezes, poderia recuar inicialmente para 8,3 vezes, equivalente a uma queda de cerca de 14%, e posteriormente se aproximar de 7 vezes, o que representaria um desconto próximo de 28%. Leia também ETF do Brasil no exterior EWZ cai 26% no pre-market com reeleição de Lula Lula derrotou Flávio Bolsonaro por 51,79% a 48,21% dos votos válidos Os estrategistas estimam que o Ibovespa possa registrar um recuo de aproximadamente 20% nos próximos dias. Nesse contexto, ações domésticas mais sensíveis ao ciclo econômico brasileiro tendem a sofrer mais, enquanto exportadoras devem apresentar desempenho relativo superior, beneficiadas pela expectativa de desvalorização do real. O banco também alerta para a possibilidade de acionamento dos circuit breakers da B3. Pelas regras da bolsa, uma queda de 10% interrompe os negócios por 30 minutos, enquanto perdas de 15% e 20% podem gerar paralisações adicionais. Real pode ir a R$ 5,50 No câmbio, o JPMorgan vê espaço para uma forte depreciação da moeda brasileira. O banco trabalha com um cenário em que o dólar alcançaria R$ 5,50, o que representaria uma desvalorização próxima de 10% em relação aos níveis recentes. Ainda assim, a instituição preferiu reduzir sua recomendação para o real a neutra devido ao elevado custo de manutenção de posições compradas em dólar. Leia também Real cai 10% no mercado futuro ante dólar após reeleição de Lula Resultado da eleição representou uma mudança importante na percepção de risco do mercado brasileiro Os estrategistas destacam que o movimento dependerá, em grande parte, dos sinais enviados pelo presidente eleito e sua equipe, especialmente em relação às âncoras fiscais e ao compromisso com a consolidação das contas públicas. Além disso, o banco avalia que a curva de juros deve incorporar um prêmio de risco maior após o resultado eleitoral e não descarta a possibilidade de uma reação do Banco Central para estabilizar os mercados. Crédito soberano e empresas também preocupam No mercado de renda fixa internacional, o JPMorgan rebaixou a recomendação para os títulos soberanos brasileiros de neutra para underweight (posição abaixo da média do mercado). O banco argumenta que os spreads do Brasil estavam excessivamente comprimidos em relação a outros países com classificação semelhante e podem passar por forte correção. Na visão dos estrategistas, embora os fundamentos externos do Brasil permaneçam sólidos e o Congresso tenha perfil mais conservador, o mercado pode pressionar o governo por sinais de maior disciplina fiscal antes de voltar a precificar os ativos de forma mais favorável. Leia também Como os mercados vão abrir nesta segunda após a reeleição de Lula? Mercado teme deterioração fiscal após reeleição do presidente e projeta queda da Bolsa, alta do dólar e avanço dos juros, com investidores atentos às primeiras sinalizações da equipe econômica e à relação do governo com o Congresso No crédito corporativo, o JPMorgan manteve recomendação overweight para empresas brasileiras de grau de investimento, mas reduziu a recomendação para companhias de maior risco. O banco continua preferindo exportadoras e empresas menos dependentes da economia doméstica, como Gerdau (GGBR4), Vale (VALE3), Suzano (SUZB3) e Embraer (EMBJ3), consideradas mais protegidas dos impactos da eleição. Por outro lado, empresas ligadas ao mercado interno podem enfrentar um ambiente mais desafiador, especialmente se a perspectiva de juros menores perder força. Entre os nomes vistos como mais expostos estão o grupo Simpar (SIMH3), Natura (NATU3) e Amaggi, além de companhias ligadas a saneamento e infraestrutura. The post JPMorgan: Ibovespa deve cair 20% e dólar ir a R$ 5,50 nos próximos dias após eleição appeared first on InfoMoney.
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