CEO do Itaú: Bancos preferem juros baixos para evitar inadimplência

O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, declarou no Febraban Tech que bancos preferem juros baixos, contrariando a percepção comum, devido ao aumento exponencial da inadimplência em cenários de juros altos. Juros elevados elevam o custo de capital para tomadores, resultando em maior taxa de default e, consequentemente, em maiores provisões para devedores duvidosos (PDD) e menor rentabilidade para as instituições financeiras. Uma política monetária mais flexível, com redução da Selic, tende a impulsionar ações de bancos como ITUB4, BBDC4 e BBAS3, além de setores cíclicos como varejo e construção. Para o investidor brasileiro, a queda dos juros implica em uma descompressão do custo de financiamento para empresas do IBOV e um potencial alívio no endividamento das famílias, favorecendo o consumo e o real. A sinalização de bancos, que são termômetros da economia real, reforça a pressão sobre o Banco Central para um ciclo de corte de juros mais robusto, visando estimular o crédito e o crescimento econômico. Historicamente, nos ciclos de afrouxamento monetário de 2016-2017, a queda da Selic de 14.25% para 6.5% impulsionou o lucro líquido dos grandes bancos em média 15% YoY, dada a recuperação da carteira de crédito. A próxima reunião do COPOM (2026-09-17) será um gatilho crucial para avaliar a velocidade e a magnitude dos cortes da taxa Selic, impactando diretamente as expectativas de mercado. No médio prazo (6-12 meses), um ambiente de juros baixos sustentado pode levar a uma reavaliação positiva dos múltiplos dos bancos e das empresas endividadas, com potencial de valorização de até 10-15% para o setor financeiro.

Análise

Nas próximas 4-8 semanas, espera-se que o mercado precifique um ciclo mais agressivo de cortes de juros. Se o COPOM entregar um corte de 50bps na reunião de setembro (2026-09-17), os bancos brasileiros como ITUB4 (R$38.74 hoje) podem testar R$40-41 e as construtoras como CYRE3 podem ver alta de 5-7%. O principal gatilho de aceleração será a sinalização de um piso mais baixo para a Selic.

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