Segundo turno em 2022 teve mais votos após as 17h do que em 2026

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o segundo turno das eleições de 2022 registrou mais votos depois das 17h do que no segundo turno das eleições deste ano, que teve o fim da votação prorrogado por decisão do ministro Cristiano Zanin. Os dados constam em um relatório da corte eleitoral enviado ao Supremo com os dados sobre as seções que funcionaram após o horário previsto e aquelas que registraram votos. De acordo com o documento, 41.025 votos foram computados após as 17h em 2022, enquanto em 2026 foram 34.393. Segundo as normas eleitorais, as seções podem encerrar a votação às 17h em ponto se não houver eleitores na fila. Caso contrário, senhas devem ser distribuídas para garantir o atendimento de todos e a votação. Sendo assim, ainda que o período de votação não tenha sido estendido em 2022, houve votos registrados após esse horário. No relatório enviado ao Supremo, o TSE ainda informou dados específicos sobre as cidades baianas em que foram registrados problemas no transporte público de eleitores. Denúncias de irregularidades desde o início do domingo (25) motivaram pedidos da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ampliar o horário de votação. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também solicitou o mesmo, em razão das chuvas que atingiram municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Segundo o TSE, após as 17h, foram registrados 147 votos em Feira de Santana, 79 em Lauro de Freitas e 1.768 em Salvador. Em 2022, foram registrados, nos mesmos municípios, respectivamente, 86, 43 e 962 votos após o horário de fechamento das urnas. A decisão foi proferida muito próximo ao horário de fechamento das urnas, às 17h, o que causou alguma confusão nas zonas eleitorais, já que muitas já haviam encerrado os trabalhos. Na ocasião, Zanin proferiu um despacho adicional esclarecendo que a votação deveria seguir apenas nos locais em que as urnas ainda estivessem abertas, sem a necessidade de reabertura. Esta foi a primeira vez, desde que a urna eletrônica foi adotada no país, que o encerramento da votação foi prorrogado por decisão judicial. A decisão de Zanin foi tomada depois de Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, não se manifestar sobre a possibilidade de estender o período de votação. Ele destacou depois, em pronunciamento à imprensa, que a decisão de Zanin não alterou o desfecho do pleito. No dia, a medida adotada pelo ministro do STF causou confusão e críticas. Após o resultado, Flávio classificou a decisão de Zanin como “sacanagem” e disse que iria pedir a anulação das eleições. O senador, no entanto, recuou na segunda-feira (26) e desistiu de questionar o processo eleitoral. Nesta terça-feira (27), Flávio deixou o país com destino aos Estados Unidos.

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