China estende compra de ouro por 20 meses, reforçando desdolarização

O Banco Popular da China (PBOC) estendeu sua sequência de compras de ouro para o 20º mês consecutivo em junho, adicionando 14.93 toneladas (480.000 onças troy) às suas reservas, que agora somam 2.346 toneladas. Esta acumulação contínua visa diversificar as reservas cambiais da China e reduzir a dependência do dólar americano, elevando a demanda global por ouro e pressionando o status do USD como moeda de reserva. Tal política impulsiona o preço de ETFs de ouro como GLD e ações de mineradoras como NEM, enquanto pode exercer pressão de baixa sobre o DXY, que mede a força do dólar. Para o investidor brasileiro, o movimento reforça a tese de proteção contra a inflação e fraqueza do dólar global, embora o impacto direto no BRL seja secundário. A Rússia, após 2014, aumentou significativamente suas reservas de ouro, reduzindo sua exposição ao dólar em resposta a sanções, o que sustentou a demanda por ouro por anos. O próximo relatório de reservas do PBOC, previsto para o final de julho, será um gatilho para confirmar a continuidade dessa política de compra. No médio prazo (6-12 meses), a persistência da desdolarização chinesa e de outros países pode manter um piso para os preços do ouro e introduzir volatilidade estrutural no mercado cambial global.

Análise

Nos próximos 2-4 meses, espera-se que o ouro (atualmente em $4154.60) mantenha uma tendência de alta gradual, testando $4200-$4250, impulsionado pela demanda contínua do PBOC. O principal gatilho para uma aceleração seria a confirmação de compras adicionais no próximo relatório do PBOC (final de julho) ou declarações de outros bancos centrais sobre diversificação. No médio prazo (6-12 meses), a sustentação da tese de desdolarização pode levar o ouro a patamares de $4300-$4500, com o DXY sob pressão de baixa gradual.

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