Trump reconhece impacto da guerra contra o Irã na derrota eleitoral dos republicanos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira (4) que a guerra contra o Irã contribuiu para a derrota dos republicanos nas eleições legislativas, mas defendeu a ofensiva militar e afirmou que ela "valeu a pena", uma vez que não poderia permitir que a República Islâmica tivesse uma arma nuclear. Leia também: Vitória democrata nos EUA pode mudar rumos de guerras e comércio global Entenda por que Trump e os republicanos perderam as eleições nos EUA Líderes mundiais dizem que vitória democrata nas eleições é resposta ao trumpismo “A questão do Irã era algo que precisávamos fazer, e continuamos fazendo”, disse ele a jornalistas. Após os democratas reconquistarem o controle do Congresso, impulsionados por vitórias em disputas pelo Senado em Estados tradicionalmente republicanos, como Texas, Carolina do Sul e Kansas, Trump voltou a afirmar que seu partido teria vencido se ele próprio estivesse na disputa e admitiu que não conseguiu transferir sua popularidade aos candidatos republicanos. As declarações ocorrem em meio a uma onda de críticas dentro do partido, com outras lideranças atribuindo o revés à guerra contra o Irã, ao aumento do custo de vida e ao descumprimento de promessas eleitorais do presidente. Trump também procurou minimizar as consequências políticas da perda do controle do Congresso. Disse que provavelmente conseguirá se entender com os democratas, mas advertiu que uma eventual tentativa de abrir um processo de impeachment contra ele seria devastadora para o Partido Democrata. Mais cedo, em publicação na rede social X, o vice-presidente J.D. Vance também atribuiu a derrota republicana à guerra contra o Irã. Ele afirmou que pesquisas internas ainda identificaram outros motivos para a insatisfação dos eleitores: a inflação e o custo de vida, a percepção de que o governo deixou de colocar os Estados Unidos em primeiro lugar e a relação do país com Israel. “A razão pela qual perdemos foi a guerra. O próprio presidente disse isso na noite de ontem”, escreveu Vance. “Qualquer conversa honesta sobre os rumos que devemos tomar daqui para a frente precisa começar por aí.” Segundo o vice-presidente, analistas da campanha já haviam identificado, antes da votação, sinais de que muitos eleitores da chapa Trump-Vance de 2024 estavam irritados e pretendiam apoiar os democratas, apesar de continuarem dispostos a comparecer às urnas. “O principal problema não foi o comparecimento. O principal problema é que muitas pessoas que votaram em Trump/Vance em 2024 votaram nos democratas em 2026”, afirmou. Vance acrescentou que os republicanos também falharam na comunicação de suas propostas econômicas na reta final da campanha. Initial plugin text As críticas à condução do governo também partiram de outros nomes importantes do partido. O governador da Flórida, Ron DeSantis, classificou o resultado como "algo próximo ao nível de extinção", embora tenha ressaltado que seu Estado foi uma exceção entre os dez mais populosos do país. Já o senador John Curtis, de Utah, defendeu uma retomada dos valores conservadores tradicionais, que, segundo ele, foram abandonados pelos republicanos ao longo da última década. O deputado Thomas Massie, do Kentucky, que entrou em confronto com Trump por causa da guerra contra o Irã e da condução do caso Epstein, cobrou uma autocrítica do partido. "A derrota não é sobre depositar confiança nos democratas ou nos princípios socialistas: é sobre responsabilizar os republicanos por terem traído suas promessas", escreveu Massie no X. Apesar das críticas, parte da liderança republicana saiu em defesa do governo. O senador John Thune, líder da maioria republicana no Senado até a mudança de composição do Congresso, destacou o histórico do partido nos últimos dois anos, citando medidas de segurança pública, aumento da renda disponível e incentivos às famílias e empresas. "Ainda temos o presidente Trump na Casa Branca e trabalharemos com ele para frear os piores impulsos do extremismo democrata", afirmou Thune.

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