As decisões de política monetária do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil e do Banxico no México ocorrem em contextos bastante diferentes. No Brasil, o Copom se reúne sob o impacto de uma eleição que alterou as expectativas para inflação, juros e câmbio, elevando a incerteza sobre a trajetória fiscal. Em contraste, o Banxico não enfrenta um evento doméstico equivalente, mantendo expectativas de inflação mais estáveis e focado no ritmo de acomodação monetária. A eleição brasileira provocou um ajuste significativo nos preços dos ativos, com o J.P. Morgan Asset Management indicando que o mercado passou a precificar aproximadamente 1,5 ponto percentual de altas de juros até o fim de 2027. Os juros nominais de dez anos, que estavam em cerca de 13%, chegaram a se aproximar de 16% durante esse ajuste, refletindo uma revisão importante do custo de financiamento esperado. A Selic, atualmente em 13,75% ao ano, teve sua projeção para 2027 revisada de 11,75% para 12,50% no boletim Focus, divulgado na terça-feira. A expectativa de inflação para 2027 subiu de 4,34% para 4,76%, o PIB recuou de 1,31% para 1,20%, e o câmbio avançou de R$ 5,15 para R$ 5,40. A Franklin Templeton identificou entradas de aproximadamente US$ 4,4 bilhões em ETFs brasileiros, concentradas em fundos negociados nos EUA, no mês anterior à eleição, sendo 60% das entradas anuais naquele período.
A decisão do Copom sobre a taxa Selic, aguardada para amanhã, e a comunicação sobre o balanço de riscos serão cruciais para o mercado. O desfecho da trajetória fiscal e as medidas que serão implementadas para reancorar as expectativas de inflação e juros, especialmente após as revisões do boletim Focus, definirão o custo de capital no país e a percepção de risco para os ativos brasileiros.
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