Investidor opta por segurança depois da ‘euforia’ do 1º turno nas opções do EWZ, mas volume supera em 5 vezes 2022

O investidor teve uma surpresa com o primeiro turno das eleições de 2026. A maioria dos gestores previa o favoritismo do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ante o senador Flávio Bolsonaro (PL). No entanto, a surpresa veio com a vantagem de mais de 2 pontos percentuais para o candidato do PL. Diante do resultado das urnas, o investidor encontrou uma oportunidade em um resultado pouco precificado. Agora, porém, Flávio já é visto pelo mercado como aquele com maior probabilidade de vencer no segundo turno. Após uma alta dos preços dos ativos domésticos e pesquisas eleitorais mais apertadas entre Lula e Flávio, com algumas apresentando até empate numérico, o investidor opta pela proteção no mercado de opções de EWZ, segundo especialistas consultados pelo Money Times. As opções são derivativos e funcionam como uma uma forma mais “barata” de o investidor se expor ao Brasil. Caso essa “aposta” dê errado, o valor perdido também é menor. Contudo, o valor desses contratos, medido pela volatilidade implícita, subiu consideravelmente nas últimas semanas. Aumenta a procura por proteção De acordo com o gestor Paulo Abreu, da Mantaro Capital, o ambiente de incerteza era muito grande no primeiro turno. “No sábado (3) de manhã, o Itaú tinha feito uma pesquisa com 111 gestores, só 9% achavam que daria Flávio na frente, o que já ilustrava o grau de incerteza”, explica. “Tivemos um movimento amplificado, visto que a chance de vitória do Flávio aumentou.” Naquele momento, o mercado estava pouco alocado e quem resolveu fazer exposição ao Brasil, fez via call spread – que funciona como uma compra de alta limitada, no qual o investidor consegue capturar parte dessa alta do mercado brasileiro. Ao olhar para 2022, o volume de opções de vendas e compras era de US$ 10 bilhões no primeiro turno, enquanto no segundo turno era de US$ 11,4 bilhões, para uma relação de 1,32x uma compra (call) para cada venda (put). De acordo com Abreu, na época metade era apostando na alta e a outra metade apostando em queda. “Na véspera do primeiro turno, vimos um volume de quase US$ 39 bilhões de dólares, de uma relação de 1 de venda para 3,3 de compra. O mercado estava se protegendo pouco e apostando em uma alta, mas uma ata travada, não uma alta como a que aconteceu”, afirma Abreu. Na máxima, o Ibovespa chegou a superar os 209 mil pontos. Agora, na véspera do segundo turno, o volume foi para US$ 55 bilhões, só que o estoque diminuiu, diz o gestor. “Para cada uma opção de venda, você tem 2,6 opções de compra. Os investidores ficaram mais cautelosos do que anteriormente, e isso é um reflexo do movimento de alta, com parte alocando em Bolsa. Esse valor é 5,5 vezes o observado em 2022”, detalha Abreu. Na mesma linha, o Gustavo Akamine, co-CIO e sócio da Constância Investimentos, considera que esse movimento de estreitamento bem amplo nas pesquisas acabou tornando a disputa eleitoral mais acirrada, o que aumenta a incerteza e naturalmente torna os contratos de opções mais caros. “As opções de alta ficaram mais caras do que as opções de queda, as puts, os ativo se valorizaram muito em função de onde o mercado estava posicionado antes do primeiro turno”, avalia. “Agora, está o contrário com esse estreitamento, ficou bem mais caro para ficar protegido da queda.” Ainda assim, a leitura de Akamine é de que o mercado continua precificando uma eventual vitória de Flávio, apesar do estreitamento recente nas pesquisas. Contratos em aberto (open interest) de opções de EWZ nos EUA Vencimento Calls Puts Put/Call Outubro (2/out) 969.950 284.587 0,29 Novembro (23/out) 3.541.733 1.208.281 0,34 Fonte: Constância Investimentos Akamine, da Constância, detalha que o número de contratos em aberto cresceu bastante: as calls foram multiplicadas por cerca de 3,6 e as puts por cerca de 4,2. “Isso significa que, com a disputa mais acirrada, a procura por puts (opções que se valorizam quando o ativo cai) cresceu mais do que a procura por calls. Por isso a relação put/call passou de 0,29 para 0,34″, explica. Volatilidade implícita sobe O economista-chefe da Nomos, Beto Saadia, explica que a volatilidade implícita sobe com o aumento pela procura pelas opções de compra, mas essa alta dos preços também é observada nas opções de venda. “Naturalmente, o preço dos contratos de derivativos fica mais alto, tanto o de put quanto o de call. Quando falamos que a volatilidade implícita dispara, o preço de todos os derivativos no geral disparam”, diz o economista. De acordo com Saadia, a volatilidade implícita está na casa dos 70% para o contrato de opção do EWZ que vence em 20 de novembro. Ou seja, seria uma oscilação de cerca de 4,5% do índice por dia. Volatilidade realizada de 10 dias do EWZ (anualizada, %), janelas do 2º turno Eleição Entre turnos Pós 2º turno 2002 83,10 69,07 2006 23,54 21,22 2010 21,72 22,01 2014 58,90 59,65 2018 47,02 44,54 2022 48,93 52,29 Média 2002–2022 47,20 44,80 2026 49,28 n/d Fonte: Constância Investimentos O ‘day after’ Para Abreu, da Mantaro Capital, a grande questão é que, diferentemente do primeiro turno, não tem um terceiro turno. “É uma decisão que irá acontecer agora”, afirma. O primeiro pregão depois do segundo turno, porém, é difícil de prever, na avaliação do gestor. “Mas se Flávio ganhar, a expectativa é de que o mercado suba”, diz. Ademais, o cenário é diferente porque o mercado já precifica uma vitória de Flávio, diferentemente da surpresa observada no primeiro turno.

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