Governo americano não contatou Brasil após eleição e EUA seguem como maior desafio estrangeiro no Lula 4

Nenhum membro do governo americano entrou em contato com o governo brasileiro para reconhecer a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmaram fontes do Itamaraty ao Valor. Sem reconhecimento formal e com a insistência de falas polêmicas por parte do presidente Donald Trump, a expectativa da diplomacia brasileira é que os Estados Unidos sigam como o maior desafio internacional do Brasil. A postura não é exatamente uma surpresa para o governo brasileiro. Embora haja uma avaliação de que Trump foi mais discreto durante todo o processo eleitoral, diplomatas argumentam que, da forma como tem agido desde que voltou ao governo americano, em janeiro de 2025, era de se esperar que ele desse declarações polêmicas ou não reconhecesse, pelo menos de imediato, a reeleição de Lula — em caso de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua vez, dizem que ele reconheceria “imediatamente”. Este é um dos motivos para que nem o Itamaraty nem o presidente Lula tenham respondido às falas de Trump. Sem apresentar provas, Trump afirmou a jornalistas nesta segunda-feira (26) que a eleição brasileira “pareceu mais uma eleição fraudada”. O governo brasileiro viu a fala praticamente como “ensaiada”, sob a leitura de que o líder americano estava na expectativa de que fosse perguntado sobre o assunto para dar uma declaração polêmica. Por outro lado, na mesma fala, Trump disse “gostar muito” de Lula, o que indica, para o corpo diplomático, que a afronta não deve passar disso. Ao mesmo tempo, o posicionamento indica que a relação não deverá melhorar muito nos dois próximos anos que Trump ainda tem à frente da Casa Branca. Membros do governo apontam que a instabilidade e a imprevisibilidade nas ações internacionais do americano, características que mais são criticadas pela área de cooperação brasileira, seguirão na tendência estabelecida desde 2025, com forte protecionismo e levando em consideração fatores ideológicos dos chefes de Estado com quem conversa. Com a reeleição estabelecida, no entanto, deverão voltar as negociações sobre o tarifaço, pausadas durante o período eleitoral, e sobre o agrément (autorização formal de aceitação) para o indicado pelos americanos para a embaixada dos EUA em Brasília, Daniel Perez. Lula já havia dito publicamente que nenhuma ação seria tomada antes do segundo turno. Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa durante uma cúpula em Washington REUTERS/Evan Vucci

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