Foto: Reprodução A história da família Babinski com a suinocultura começou com uma pequena instalação de 70 metros quadrados, oito matrizes e muita disposição para trabalhar. Mas o patriarca, Seu Leonir, iniciou na atividade, em Xavantina, no Oeste de Santa Catarina, com muito menos. Filho de agricultor, começou a trabalhar ainda criança, ajudando na lavoura e na criação de animais. Após a morte do pai, precisou assumir novas responsabilidades e passou a investir na produção de milho como forma de sustentar a família e pagar pela terra. Naquela época, o dinheiro era escasso e as negociações aconteciam, muitas vezes, com base na confiança entre vizinhos. Para quitar a propriedade, Leonir entregava parte da produção de milho a um suinocultor da região, que fazia o pagamento diretamente ao antigo proprietário da terra. Os acordos eram registrados de maneira simples, em pequenos recibos escritos à mão. “Ele pegava na caixa de lenha um papelzinho e escrevia com lápis. Não tinha contrato. Ele dizia que ia ‘valer o bigode’, e eu nem barba direito tinha”, relembra Leonir. A estratégia deu resultado. Em 1990, depois de anos de trabalho, o agricultor finalmente conseguiu a escritura da propriedade. No entanto, a conquista representava apenas o início de uma nova etapa. Início da criação Em 1991, Leonir decidiu retomar uma atividade que conhecia desde a infância: a criação de suínos. Sem recursos para grandes investimentos, construiu um pequeno chiqueiro de 10 x 7 metros. Para levantar o dinheiro necessário, precisou vender parte do milho produzido na propriedade. Os primeiros animais chegaram por meio de negociações com vizinhos. Depois de realizar um trabalho de engorda de suínos para um produtor da comunidade, Leonir recebeu uma leitoa como pagamento. Em outra oportunidade, um vizinho que enfrentava dificuldades de abastecimento de água ofereceu um macho e uma fêmea em troca do acesso à água da propriedade. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! “Ele me disse: ‘Tu me cede uma água ali, eu vou te dar um macho e uma fêmea’. Ganhei um macho e uma fêmea dele. Daí comprei mais e comecei com oito fêmeas”, conta. Foi assim que a criação começou a ganhar forma. O milho, antes destinado principalmente ao pagamento da terra, passou também a alimentar os animais. Com o passar dos anos, a família ampliou gradualmente a produção, aumentando o número de matrizes e investindo na estrutura da propriedade. O crescimento da atividade não aconteceu sem dificuldades. Leonir lembra que a oscilação dos preços dos suínos e as condições das instalações tornavam o trabalho especialmente desafiador. Durante os invernos mais rigorosos de Santa Catarina, era necessário acompanhar constantemente as condições dos animais, inclusive durante a madrugada. “Foi complicado, porque tinha anos em que o suíno estava um pouquinho em alta, outras vezes mais baixo. Nos invernos mais rigorosos era mais difícil de cuidar. Não tinha essa climatização que tem hoje. Tu tinha que levantar de noite, ir lá ver as portas”, relata. Com a modernização das granjas, equipamentos de climatização e melhorias no manejo passaram a facilitar o trabalho e contribuir para o desenvolvimento da produção. Outro passo importante foi a entrada no sistema de integração, modelo em que o produtor mantém uma parceria com a agroindústria para a criação dos animais. Na avaliação de Leonir, a integração trouxe condições mais favoráveis para continuar investindo na atividade. “Hoje, se eu fosse começar de novo, seria sempre integrado. Ajuda bastante. Se tu vai começar sozinho, no particular, só se tiver muito dinheiro. Senão, não vai conseguir produzir”, afirma. Ampliação e o futuro da família Depois de décadas de crescimento gradual, a propriedade chegou a um momento decisivo. Com um plantel de 180 matrizes, Leonir precisou avaliar a possibilidade de ampliar a estrutura para continuar na atividade. A proposta envolvia praticamente dobrar o número de fêmeas e preparar a propriedade para uma produção ainda maior. O investimento representava um desafio financeiro, mas o acesso ao crédito e a parceria com a integradora possibilitaram a construção de uma nova granja. Para Leonir, continuar na suinocultura também era uma decisão relacionada às características da região onde a família vive. “Aqui na nossa região, se tu não tiver suíno, aviário ou vaca, é complicado viver de milho ou de soja. Não tem como plantar. A região de Xavantina é só morro e pedra, tem poucas áreas plantadas. Mas a vida inteira gostei de mexer com suíno”, conta. A ampliação representou não apenas uma oportunidade de aumentar a produção, mas também uma maneira de estruturar a propriedade para os próximos anos. A trajetória da família Babinski também mostra como a evolução da suinocultura passou a exigir maior atenção aos procedimentos adotados dentro das granjas. Segundo Heloísa Busatta, extensionista da JBS/Seara no Oeste de Santa Catarina, a padronização é fundamental para garantir que todas as etapas de manejo sejam executadas corretamente. “A padronização é importante porque garante que a gente vai concluir todos os processos que são básicos e importantes dentro da suinocultura. Quando a gente padroniza, entende que tudo vai ser bem feito e que nenhum procedimento importante será deixado de lado”, explica. Entre os principais cuidados estão as medidas de biosseguridade, destinadas a prevenir a entrada e a disseminação de doenças nos plantéis. A extensionista destaca que o acompanhamento das atividades é realizado por meio de planilhas, listas de verificação e registros dos procedimentos executados. Os controles incluem, por exemplo, o histórico de visitantes que entram nas instalações, permitindo identificar a origem das pessoas e acompanhar possíveis riscos sanitários. “Temos checklists de biosseguridade, planilhas de controle para os procedimentos executados dentro da granja e controle de visitas. Assim, sabemos quem está entrando e de onde está vindo”, detalha. Para Heloísa, entretanto, o cumprimento das orientações não depende apenas da existência de protocolos. O envolvimento do produtor é essencial para que as medidas façam parte da rotina. “A forma mais garantida de ter o cumprimento dos padrões e dos procedimentos é quando o produtor entende a importância de seguir essas orientações. Ele vira um aliado e faz porque entende que é necessário”, afirma. O post Produtor começou trocando saca de milho por suíno e hoje possui granja com milhares de cabeças apareceu primeiro em Canal Rural.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real