Nível de atividade da construção civil cai no 3° trimestre, aponta CNI

O nível de atividade da construção civil apresentou queda no terceiro trimestre, para 45,9 pontos, de 47,8 no segundo trimestre, de acordo com a Sondagem da Industria e do Comércio, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). No mesmo trimestre do ano passado, o indicador estava mais alto, em 48 pontos. A taxa de juros elevada é apontada por 40% dos empresários como o principal problema enfrentado pelo setor. A alta carga tributária (31%) e a falta ou alto custo da mão de obra não qualificada (29%) e também do trabalhador qualificado (25%), aparecem na sequência dos principais entraves da construção civil. O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, afirma que esses problemas não são novidade para a atividade. "É uma preocupação muito grande do setor. Precisamos aumentar a nossa produtividade, mas precisamos de tempo e essa falta de mão de obra, impactada por uma série de situações conjunturais do setor, prejudica que isso seja feito de maneira mais gradual", explica. Por conta do cenário de juros em patamar elevado, os empresários da construção civil destacam que, assim como o nível de atividade, a utilização da capacidade de operação também recuou neste terceiro trimestre, seja em relação ao segundo semestre ou ao mesmo período de 2025. Outra questão que preocupa a atividade e pode influenciar essa conjuntura é o aumento dos custos. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), acumulou, segundo a sondagem do CBIC, alta de 6,64% nos últimos 12 meses. Essa elevação foi puxada pela alta dos custos com mão de obra, que subiu 7,78% neste período, e também do custo de materiais e equipamentos, que acelerou 6,06%, ambos acima da inflação do país, calculado em 4,58% pelo IPCA. Em meio às variações de preço e da alta taxa de juros, o setor apresentou um aumento de 2,99% no número de trabalhadores com carteira assinada no período de 12 meses que se encerrou em agosto deste ano. De acordo com dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho, o campo da construção fechou o mês de agosto com 3,150 milhões de trabalhadores com carteira assinada. O número de novos empregos também apresentou expansão, chegando a 200.431 novas vagas no acumulado de janeiro a agosto. Esse movimento foi puxado, sobretudo, por obras de infraestrutura, que dentre os segmentos do setor foi o que apresentou o maior aumento na geração de emprego, chegando a 79.065, alta de 26,89% em comparação com igual período do ano passado. Na análise estadual, São Paulo foi o estado com maior criação de vagas em números absolutos (34.099), com destaque para o setor de serviços especializados para construção civil, responsável por 18.797 novos empregos. Minas Gerais e Bahia vêm na sequência do ranking, com 25.340 e 15.638 novas vagas, respectivamente. Entre os municípios, São Paulo (15.711), Rio de Janeiro (8.086) e Fortaleza (6.260) lideram o aumento. Os dados da sondagem refletem que a construção civil se consolidou entre os segmentos como um dos maiores salários médios de admissão, com valor de R$ 2.642,46, ficando atrás apenas da administração pública. Mesmo em meio a um ano marcado por juros elevados e aumento de custos na construção de edifícios, o segmento de infraestrutura apresentou um forte ciclo de expansão estrutural, motivada principalmente pelo avanço das obras no interior do país e por projetos industriais e energéticos. Em função dessa conjuntura, a CBIC projeta um crescimento de 1,2% no PIB da construção civil em 2026. Ieda Vasconcelos, economista-chefe da instituição, afirma que existe uma expectativa de crescimento do setor para o próximo ano, ainda que não haja números específicos para defini-lo. No entanto, o gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo Azevedo, pondera que fatores como a taxa de juros, o endividamento das famílias e empresas e a pressão de custos do setor externo devem ser levados em conta para faturas análises. Simon Dawson/Bloomberg

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