Um estudo abrangente, realizado ao longo de 40 anos com 40 mil operações de fusões e aquisições, demonstrou que 75% dos M&As não conseguem atingir seus objetivos, conforme Baruch Lev & Feng Gu (2024). O mecanismo econômico por trás dessa alta taxa de falha reside na negligência da 'voz do cliente' e na subestimação do risco de perda de clientes (churn) pós-integração. Para o investidor brasileiro, isso implica um ceticismo crescente em relação a M&As de empresas listadas na B3, exigindo uma due diligence mais robusta e focada em métricas de retenção de clientes. Um paralelo histórico relevante é a aquisição da AOL pela Time Warner em 2000, um clássico exemplo de M&A mal-sucedido que resultou em perdas bilionárias devido a problemas de integração cultural e de clientes. O próximo gatilho será a divulgação de balanços de empresas que realizaram M&As recentes, com atenção especial às métricas de churn e custos de integração. No médio prazo, espera-se uma mudança paradigmática na avaliação de M&As, com maior peso para a sustentabilidade do valor do cliente.
Nas próximas 6-12 meses, espera-se que conselhos de administração e gestores de fundos aumentem a pressão sobre as equipes de M&A para incorporar análises qualitativas da 'voz do cliente' e planos detalhados de integração. O foco em sinergias puramente financeiras será questionado, com maior ênfase na sustentabilidade do valor do cliente. Empresas que demonstrarem excelência na integração pós-M&A poderão ver seus múltiplos de avaliação revisados positivamente, enquanto as que falharem, especialmente em setores de alto churn, enfrentarão desvalorização.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real