O Banco Central do Paraguai (BCP) decretou nesta terça-feira (3) o processo de resolução e intervenção no Ueno Bank após constatar que o índice de solvência da instituição caiu abaixo de 50% do mínimo exigido por lei. Aprovada por unanimidade pela diretoria da autarquia na segunda-feira (2), a medida afeta cerca de três milhões de clientes (aproximadamente 60% da população adulta do país) e trava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em verbas públicas. Pelas determinações da Lei nº 2.334/03 detalhadas no documento oficial do regulador em Assunção, a Superintendência de Bancos nomeou interventores para assumir a gestão, verificar a situação patrimonial e preservar os ativos restantes. Diferente de uma falência judicial comum, esse mecanismo permite transferir os saldos dos correntistas para bancos estáveis antes de liquidar o patrimônio remanescente para pagar credores. Com o aplicativo fora do ar e escolta policial na porta das agências para conter tumultos, investidores brasileiros de Bitcoin que moram no país vizinho apelidaram o episódio nas redes sociais de “Banco Master do Paraguai”. A empresária e entusiasta de bitcoin Eduarda Lobato relatou na plataforma X que tanto ela quanto o namorado perderam o acesso às contas e que o país acordou com filas de clientes que tentavam sacar dinheiro nas ruas. Madu no X sobre o possível Banco Master do Paraguai (Foto/X). “O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou por unanimidade, mediante a correspondente resolução de sua Diretoria datada de 2 de novembro de 2026, iniciar o procedimento de resolução do ueno bank, após constatar uma insuficiência em seu índice de solvência abaixo de cinquenta por cento (50%) do mínimo requerido, como consequência de ajustes realizados em suas demonstrações financeiras durante o processo de regularização. A medida busca atender sua situação de maneira ordenada, proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro.” — Banco Central do Paraguai, em comunicado oficial publicado em Assunção. Limite do fundo garantidor e crise política no governo de Santiago Peña Segundo o comunicado oficial do Banco Central paraguaio, o Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) cobre até 75 salários mínimos mensais por pessoa física ou jurídica, teto equivalente hoje a 228.300.000 guaranis (cerca de US$ 38 mil). O diretor da autarquia Marco Aurelio González estimou que 97% dos clientes têm saldos dentro desse limite pago em até 15 dias úteis (prorrogáveis por mais 15), mas o fundo previdenciário estatal (IPS) busca na Justiça recuperar cerca de US$ 380 milhões aplicados no banco e transferir o pagamento de 32 mil aposentados. O colapso financeiro provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, executivo que comandava o próprio Ueno antes de ser nomeado pelo presidente da República, Santiago Peña, em 2023. Embora tenha assinado a carta de demissão nesta terça-feira (3) após revelar que auditorias acharam irregularidades graves e empréstimos ilegais a empresas dos próprios donos do banco, Carvallo permanecerá no posto de forma provisória para conduzir a transição. Peña manteve sociedade comercial no Grupo Vázquez, conglomerado controlador do banco, até março de 2025 e precisou cancelar uma viagem oficial para uma cúpula na Espanha diante do escândalo que envolve um quarto dos depósitos da instituição em dinheiro público. Na segunda-feira (2), o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, suspendeu sua pré-candidatura presidencial pelo Partido Colorado para 2028 e afirmou em entrevista que não existe projeto político possível sem antes arrumar a casa. Um dos maiores bancos do Paraguai, o Ueno é um dos principais patrocinadores da CONMEBOL Sudamericana (Copa Sul-Americana), que tem o brasileiro Atlético Mineiro na final em disputa contra o Boca Juniors. O que disse o banco Ueno? Horas antes da coletiva de imprensa convocada pelo Banco Central às 7h desta terça-feira (3), a direção do Ueno Bank divulgou uma nota oficial para afirmar que não havia recebido nenhuma notificação formal sobre o acionamento do Fundo de Garantia de Depósitos. No texto, a empresa sustentou que seguia em operação com plena normalidade e declarou que não existia fundamento para tratar a medida regulatória como um fato confirmado. A instituição financeira também citou a Presidência da República para negar rumores sobre supostas reuniões de emergência entre banqueiros e autoridades do governo na residência oficial de Mburuvicha Róga. Por fim, o comunicado repudiou a difusão de informações não verificadas que pudessem causar alarme injustificado entre os clientes ou abalar a confiança no sistema financeiro paraguaio. Diante das versões que circulam sobre uma suposta aplicação do Fundo de Garantia de Depósitos ao ueno bank, esclarecemos que nossa entidade não recebeu nenhuma notificação do Banco Central do Paraguai sobre uma medida dessa natureza. Rejeitamos a difusão de informações não verificadas que possam gerar alarme injustificado entre os depositantes e afetar a confiança no sistema financeiro. — Ueno Bank, em nota oficial divulgada aos clientes. #uenobank https://t.co/RcPJ05zanG — ueno bank (@uenopy) November 2, 2026 Fonte: BC do Paraguai intervém no Ueno Bank por insolvência e brasileira compara caso ao Banco Master Veja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.
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