Entre as gestoras que registraram perdas expressivas após o segundo turno, Exploritas e Mar Asset chamam atenção não apenas pelo desempenho dos fundos, mas também pelo protagonismo que tiveram nas discussões sobre o cenário eleitoral. Na Exploritas, o economista-chefe Andrei Spacov esteve licenciado nos últimos meses para participar da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Já a Mar Asset foi uma das primeiras casas a apontar publicamente, ainda em agosto, uma probabilidade maior de derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na Exploritas, a mudança foi particularmente expressiva. Na sexta-feira, dia 23, o fundo multimercado Exploritas Alpha América Latina acumulava valorização de 72,88% em outubro e de 48,34% no ano. Já na terça-feira, dia 27, após a forte correção dos ativos domésticos, o resultado mensal havia passado para uma perda de 42,92%, enquanto a desvalorização acumulada em 2026 chegava a 51,03%. Na carta de gestão referente a setembro, divulgada após o primeiro turno, a Exploritas demonstrava um tom positivo com o cenário brasileiro. “Dessa forma, seguimos otimistas com a performance dos ativos brasileiros no médio prazo e acreditamos que o momento segue propício para nos mantermos posicionados”, afirmou a casa. Na ocasião, o fundo multimercado mantinha exposição líquida comprada de 20% em ações, especialmente de empresas domésticas, além de posições aplicadas (apostando na queda) no meio e na parte longa da curva de juros reais. Procurado, o diretor de investimentos (CIO) da Exploritas, Daniel Delabio, diz que a gestora mantinha posições em ações e juros, mas que a exposição foi bastante reduzida após o resultado eleitoral. Ele avalia que uma recuperação dos ativos locais não deve ocorrer tão cedo. Delabio esclarece ainda que Andrei Spacov estava licenciado nos últimos meses para se dedicar à campanha de Flávio Bolsonaro. Na Mar Asset, o fundo Mar Absoluto perdeu 15,47% apenas na segunda-feira, dia 26, levando o resultado de outubro de uma valorização de aproximadamente 4,37%, antes do pregão, para uma queda de 11,78%. No acumulado do ano, a perda chegou a 32,56%, segundo os dados divulgados pela gestora. O resultado ocorre em um ano marcado por episódios de volatilidade para a Mar. Em março, no início da guerra no Irã, o Mar Absoluto recuou 16,57%, e a casa reconheceu, em carta aos investidores, que havia demorado a reduzir o risco de determinadas posições. Em agosto, voltou a abordar dificuldades na condução da carteira e anunciou uma simplificação das estratégias, com maior concentração em CDI. Ainda em agosto, a Mar também apresentou uma avaliação que ganhou destaque no mercado: a de que Lula era “favorito a perder” a eleição presidencial. Depois do primeiro turno, a gestora atribuiu 92% de probabilidade à vitória de Flávio Bolsonaro, com projeção de 53% dos votos válidos, ante 47% do petista.
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