As negociações sobre o Framework Net-Zero (NZF) para o transporte marítimo internacional foram retomadas na ONU, com a International Maritime Organization (IMO) agendando reuniões em Londres de 1 a 4 de setembro. Este acordo climático inédito visa introduzir a primeira precificação global de carbono para poluidores, afetando diretamente a indústria naval. O mecanismo econômico principal será o aumento dos custos operacionais para embarcações que utilizam combustíveis fósseis, incentivando a adoção de tecnologias mais limpas e combustíveis alternativos como GNL, metanol e hidrogênio. Consequentemente, ativos de empresas de navegação como ZIM e MAERSK.CO enfrentarão pressão de custos, enquanto provedores de soluções energéticas verdes como EQNR.OL podem se beneficiar. Para o investidor brasileiro, o impacto se manifestará em maiores custos de exportação para commodities como celulose (SUZB3) e proteína animal (JBSS3), potencialmente contribuindo para a inflação de bens importados e exportados. Historicamente, a introdução do Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS) para o setor de aviação em 2012 levou a um aumento de custos para as companhias aéreas de aproximadamente 1-3% por ano, impulsionando investimentos em eficiência e tecnologias mais limpas. O próximo gatilho será a conclusão das discussões do grupo de trabalho ISWG-GHG-22 da IMO e a eventual aprovação e implementação do framework. No médio prazo, espera-se uma aceleração significativa da descarbonização da frota global e uma reconfiguração das cadeias de suprimentos com foco em rotas mais eficientes e sustentáveis.
Nas próximas 4-6 semanas, o foco estará nos detalhes do framework proposto pela IMO e na reação inicial das grandes empresas de transporte e seus clientes. Se a proposta incluir um preço de carbono elevado, espera-se uma pressão imediata sobre os preços das ações de empresas de navegação tradicionais e um aumento na cotação de combustíveis marítimos alternativos. O gatilho para um movimento mais forte será a divulgação dos termos finais do acordo e o cronograma de implementação, previsto para os próximos 6-12 meses.
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