A Medida Provisória do cacau, que avança no Senado, propõe reduzir de 24 para seis meses o prazo de vigência das operações de drawback para a importação de amêndoas de cacau, com a indústria alertando para um prejuízo potencial de R$ 222 milhões. Esta redução no prazo de drawback implica em menor flexibilidade para as empresas gerenciarem estoques e ciclos de produção, aumentando o custo de capital de giro e a exposição a volatilidades cambiais e de preços de commodities. A pressão sobre as margens deve impactar negativamente fabricantes de chocolate globais como HSY e MDLZ, e empresas brasileiras como MDIA3 e KOF, que possuem portfólios com produtos à base de cacau. O cenário pode levar a repasses de custos ao consumidor final, com potencial de pressionar índices de inflação e impactar negativamente o consumo discricionário, afetando o IBOV e a demanda por BRL. A indústria já se manifestou contra, indicando lobby intenso para revisão ou mitigação dos impactos, enquanto o governo busca equilibrar interesses de produtores nacionais e processadores. Historicamente, restrições a regimes especiais de importação, como as impostas ao setor têxtil em 2012, resultaram em aumento de custos de insumos e redução da competitividade de fabricantes nacionais. O próximo gatilho será a votação final da MP no Senado, esperada para as próximas semanas, e a possível regulamentação da mudança pelo Ministério da Fazenda. No médio prazo, a medida pode forçar a reestruturação das cadeias de suprimentos ou a busca por fontes alternativas de cacau, com impactos duradouros na estrutura de custos do setor.
Nas próximas 2-4 semanas, o Senado deve votar a MP. Se aprovada como está, espera-se que HSY, MDLZ, MDIA3 e KOF revisem suas projeções de custos e precificação, com reações negativas nos preços das ações. O dólar (USDBRL) pode ter pressão de alta se a indústria buscar hedge cambial para importações.
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