Green Cargo aposta em tecnologia e inovação para transformar o transporte rodoviário

Foto: Divulgação/Green Cargo. A busca por alternativas mais eficientes e sustentáveis para o transporte rodoviário tem impulsionado a transformação do setor no Brasil. Em um cenário marcado pela volatilidade do preço do diesel, pela necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e pelos desafios logísticos do país, a Green Cargo aposta na tecnologia dos caminhões movidos a gás natural e biometano para contribuir com a transição energética. A empresa atua na locação e comercialização de caminhões a gás natural e reúne conhecimentos e recursos de diferentes negócios do grupo J&F para desenvolver soluções integradas ao transporte rodoviário. A proposta vai além da disponibilização de veículos: envolve também o fornecimento de combustível, a infraestrutura de abastecimento e os serviços de manutenção, buscando garantir eficiência operacional e disponibilidade para os clientes. Segundo Gabriel Bizzo, CEO da Green Cargo, a transição energética depende de uma combinação de fatores que precisam funcionar de maneira integrada. Entre eles estão a disponibilidade de veículos adequados às características do mercado brasileiro, o fornecimento de combustível, a infraestrutura de abastecimento e a manutenção da frota. “Não basta simplesmente trazer um veículo de fora e acreditar que ele vai funcionar no Brasil. É necessário desenvolver um produto que atenda às características e às necessidades do nosso mercado”, explica o executivo. Tecnologia desenvolvida para a realidade brasileira Um dos principais diferenciais da Green Cargo está no desenvolvimento de caminhões específicos para as condições de operação do transporte nacional. O primeiro modelo da empresa passou por três anos de desenvolvimento para atender especialmente ao segmento de extrapesados, considerando as particularidades das cargas transportadas no país. Enquanto mercados internacionais trabalham com operações de aproximadamente 45 a 49 toneladas, o transporte brasileiro frequentemente exige veículos preparados para cargas de 74 toneladas ou mais. Em determinadas operações do setor sucroenergético, por exemplo, os caminhões podem transportar até 120 toneladas. Para atender a esse cenário, o modelo desenvolvido pela Green Cargo conta com potência de 560 cavalos e autonomia de até 900 quilômetros, características que buscam aproximar seu desempenho ao dos caminhões convencionais a diesel utilizados no país. O veículo pode operar com gás natural e biometano, oferecendo uma alternativa para diferentes aplicações do transporte pesado. A tecnologia também permite que empresas iniciem a substituição gradual dos combustíveis tradicionais sem abrir mão das exigências de desempenho e produtividade. Gabriel Bizzo, CEO da Green Cargo, durante o Fórum Planeta Campo 2026. Foto: Caio Luccas. Redução de custos e eficiência operacional Além da tecnologia veicular, a Green Cargo trabalha com um modelo de negócio que busca reduzir as barreiras de entrada para empresas interessadas na transição energética. A estrutura contempla não apenas a locação dos caminhões, mas também soluções de abastecimento e manutenção. “Quando oferecemos a locação, não estamos oferecendo apenas a locação de um ativo. Estamos oferecendo a disponibilidade desse ativo. Esse é um diferencial do mercado”, afirma Bizzo. A infraestrutura de abastecimento também faz parte dessa estratégia. A empresa trabalha para viabilizar o suprimento de gás e a instalação de postos de abastecimento de acordo com as necessidades das operações, evitando que o cliente tenha de assumir investimentos iniciais adicionais em infraestrutura. A estratégia considera um dos principais fatores para a adoção de combustíveis alternativos: a redução do custo por quilômetro rodado. Afinal, a mudança energética precisa representar uma vantagem econômica para que possa ser incorporada em larga escala pelas transportadoras e demais empresas do setor. Os primeiros resultados apresentados pela companhia indicam potencial nesse sentido. Em uma operação florestal realizada em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, o grupo estruturou uma solução integrada, fornecendo infraestrutura de abastecimento, combustível, caminhões e manutenção. Inicialmente, a expectativa era alcançar uma redução de 15% no custo por quilômetro rodado. Entretanto, após a implementação da operação, em 2025, a empresa passou a medir uma redução de aproximadamente 28%. A companhia também trabalha em operações voltadas ao escoamento da produção agrícola. Em um projeto que envolve o transporte de cargas de Lins até o Porto de Santos, os caminhões operam em uma rotina intensiva, com jornadas de 24 horas por dia e percursos de aproximadamente 25 mil quilômetros mensais. Nessa operação, a utilização do gás natural já apresenta redução superior a 15% nos custos. A iniciativa também prevê a incorporação de biometano produzido em Andradina, com o objetivo de alcançar uma redução de até 95% nas emissões em comparação com o diesel. Gás natural e biometano no futuro do transporte A aposta da Green Cargo também considera o potencial energético brasileiro. O país possui capacidade de produção de gás natural superior ao consumo atual, além de um expressivo potencial para a produção de biometano, combustível renovável obtido a partir do tratamento de resíduos orgânicos. Na avaliação de Bizzo, o desenvolvimento desse mercado depende também da existência de veículos capazes de consumir o combustível em escala comercial. O transporte de cargas, especialmente no agronegócio, representa uma oportunidade importante para ampliar essa demanda. A estratégia da empresa prevê uma transição gradual. Em um primeiro momento, o gás natural funciona como alternativa para reduzir os custos operacionais. Posteriormente, a incorporação do biometano à matriz energética permite diminuir ainda mais as emissões, até alcançar operações abastecidas integralmente com o combustível renovável. “Esperamos, em um futuro próximo, operar com 100% de biometano para realmente conseguir reduzir as emissões em até 95%. Nossa visão é atrelar a redução das emissões à redução do custo por quilômetro rodado”, afirma Bizzo. O executivo ressalta que o objetivo não é manter a tecnologia restrita a projetos experimentais, mas ampliar sua utilização no mercado nacional. Para isso, a empresa aposta na combinação entre veículos adequados, combustível disponível, infraestrutura e manutenção. Com uma proposta que integra tecnologia, eficiência econômica e sustentabilidade, a Green Cargo busca contribuir para uma transformação estrutural no transporte rodoviário brasileiro, demonstrando que a transição energética também pode representar uma oportunidade de competitividade para o setor. O post Green Cargo aposta em tecnologia e inovação para transformar o transporte rodoviário apareceu primeiro em Canal Rural.

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real