As emissões de gases de efeito estufa do Brasil recuaram 6% em 2025, atingindo o menor patamar em oito anos, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima. O resultado foi impulsionado pela queda do desmatamento em todos os biomas, especialmente na Amazônia e no Cerrado. Esta é a terceira redução anual seguida (-12,7% em 2024 e -7,5% em 2023), que somadas resultam em queda de 26% nas emissões brutas no período, revertendo o ciclo anterior — entre 2019 e 2022 o país registrou uma alta expressiva do desmatamento. “Os últimos três anos reverteram uma tendência de mais de uma década de crescimento de emissões”, disse David Tsai, coordenador do Seeg e gerente no Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (21). As emissões brutas somaram 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente no ano passado. A maior parcela vem da mudança do uso do solo (39%), que é a conversão da vegetação nativa em outros usos, como agropecuária e urbanização — ou seja, desmatamento. A agropecuária foi o segundo maior emissor (30%), seguida de energia (21%, inclui transportes), resíduos (5%) e processos industriais e uso de produtos (5%). O Seeg também calcula a quantidade total de remoção de carbono, que foi de 650 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2025. Assim, as emissões líquidas do país (emissões brutas descontadas as remoções) totalizaram 1,41 bilhão de toneladas no ano. As remoções ocorreram no setor de mudança de uso da terra e florestas, que abrange duas atividades: crescimento de vegetação secundária e remoção de carbono por áreas protegidas (vegetação mantida em terras indígenas e unidades de conservação). De onde veio a queda A redução nas emissões brutas foi puxada pela forte desaceleração do desmatamento, observado em todos os estados e biomas brasileiros, principalmente na Amazônia e no Cerrado. Enquanto o setor de uso da terra reduziu significativamente suas emissões, os demais setores apresentaram estabilidade ou alta. Resíduos tiveram o maior crescimento proporcional, com alta de 3,6%, associado ao crescimento populacional e ao descarte em aterros e lixões e no tratamento de efluentes. Já energia registrou alta de 1,2% nas emissões, impulsionada pelo setor de transportes (com maior consumo de diesel e gasolina) e pela geração de eletricidade, cujas emissões subiram 6% devido ao acionamento de termelétricas a gás. As emissões da agropecuária permaneceram praticamente estáveis, com queda de 0,1% — o aumento de 6,45% da agricultura foi compensado pela redução nas emissões da pecuária. O segmento de processos industriais e uso de produtos também ficou estável, com leve variação positiva de 0,2%. “É um resultado bem positivo em nível nacional, em função da redução das emissões de uso da terra, e mostra a importância e a efetividade não só de continuar controlando o desmatamento, mas iniciar, de fato, medidas contundentes nos outros setores”, disse Tsai. O Brasil está em processo de regulamentação do seu mercado de carbono, que vai estabelecer um limite para as emissões de setores poluentes da economia. No Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), cada empresa recebe cotas (os CBEs). Quem emite menos que sua cota vende o excedente, e quem emite mais compra cotas ou créditos (os CRVEs). Estamos no rumo das metas? Segundo análise da equipe do Seeg, o ciclo de quedas recente permitiu ao Brasil recuperar o atraso causado pela disparada de emissões de anos anteriores. O país ficou, assim, mais próximo de cumprir as metas estabelecidas em sua contribuição nacionalmente determinada (NDC, na sigla em inglês) no âmbito do Acordo de Paris. O limite de emissões líquidas para 2025 era de 1,32 bilhão de toneladas de CO2 equivalente, correspondente a uma redução de 48,4% em relação a 2005. O Brasil não conseguiu cumprir a meta do ano. O resultado de 1,41 bilhão de toneladas de emissão líquida ficou 6% distante do objetivo. Para 2026, a estimativa do Seeg é que as emissões líquidas do país somem 1,22 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. O cálculo considera os dados mais recentes de desmatamento do Prodes (Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros por Satélite) e uma projeção linear das emissões dos demais setores, baseada na tendência dos últimos cinco anos. “Isso nos coloca na zona onde deveríamos estar para cumprir a meta de 2030”, disse o coordenador do Seeg. A meta brasileira para 2030 é de limite de 1,2 bilhão de toneladas. O Observatório do Clima avalia, no entanto, que essa trajetória será ameaçada em uma eventual mudança de governo. O post Brasil corta emissões, mas conta ainda não fecha fora das florestas apareceu primeiro em Reset.
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