O boletim The Kobeissi Letter, fundado por Adam Kobeissi, relatou que o tombo de 19,82% do ETF de ações brasileiras no exterior, EWZ, representou um dos eventos mais raros das últimas duas décadas. A queda, registrada na segunda-feira (26), atingiu 8,43 desvios-padrão em relação à média histórica do ativo, ou seja, um evento de Cisne Negro na estatística. Em vinte anos, a variação diária média desse fundo negociado em bolsa nos Estados Unidos ficou em apenas 0,04% positivo, com desvio-padrão de 2,36%. Sob uma curva de distribuição normal, a probabilidade matemática de ocorrer um recuo da magnitude observada na segunda-feira equivale a cerca de uma chance em 58 quadrilhões, comparável a uma chance de 1 em 50 milhões de ganhar na Mega‑Sena. O boletim destacou que tal evento deveria ser impossível sob modelos estatísticos convencionais. Antes da votação decisiva de domingo (25), o cenário traçado pelos investidores na primeira etapa do pleito apontava para uma direção oposta. No primeiro turno realizado em 4 de outubro, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) terminou na liderança com 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou na segunda colocação com 45,16%. O desempenho inicial representou a primeira derrota de Lula em um primeiro turno desde 1998 e impulsionou uma alta de 15% na bolsa brasileira após o dia 4 de outubro. Como nenhum dos concorrentes alcançou a maioria absoluta na ocasião, a disputa seguiu para o segundo turno no dia 25 de outubro. Nos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a contagem final inverteu a vantagem anterior e confirmou a reeleição do petista frente ao senador do Partido Liberal. A reação imediata na abertura do pregão de segunda-feira (26) provocou perdas generalizadas nos ativos locais e nos papéis negociados em dólar. Durante a sessão de segunda-feira, as ações brasileiras chegaram a derreter mais de 30% em dólares e apagaram mais de US$ 200 bilhões em valor de mercado. O forte volume de ordens de venda acionou o mecanismo de trava de negociações (circuit breaker) na bolsa brasileira pela primeira vez desde o início da pandemia em 2020. No mercado de câmbio, o real chegou a recuar cerca de 10% frente ao dólar norte-americano na reação inicial dos operadores internacionais. Segundo o histórico compilado pelo perfil norte-americano, essa desvalorização cambial figurou como a maior queda diária da moeda brasileira desde a criação do Plano Real em 1994.
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