A fabricante chinesa de automóveis Chery Automobile planeja lançar um veículo híbrido no Japão no próximo ano, seguindo os passos de sua concorrente BYD no competitivo mercado japonês. A Chery, que conta com apoio estatal, pretende lançar o Omoda 4, um SUV compacto, segundo informou um porta-voz ao “Nikkei Asia” durante uma visita à sua base em Wuhu, perto de Xangai, nesta semana. O Omoda 4 foi revelado em abril e exibido no Salão do Automóvel de Paris na semana passada. Seu design externo, marcado por linhas angulares, levou internautas a compará-lo ao Lamborghini Urus. O veículo vem equipado com um sistema de infoentretenimento baseado em inteligência artificial que responde a comandos de voz — embora, durante uma demonstração na segunda-feira, o sistema tenha respondido apenas em inglês e chinês. A Chery também é investidora na EMT, uma joint venture entre empresas chinesas e japonesas que planeja lançar um "kei car" (minicarro) elétrico no Japão no próximo ano. Detalhes sobre o modelo devem ser divulgados nos próximos meses. Fundada em 1997, a Chery detém diversas marcas, incluindo Omoda, Jaecoo, Exeed, Luxeed, Jetour e Lepas. Embora pouco conhecida no Japão, a empresa é a maior exportadora de automóveis da China. Em setembro, enviou 200.928 unidades para o exterior — um aumento de 53% em relação ao ano anterior, segundo a própria Chery. Esse volume representou quase três quartos das vendas totais do grupo. Entre seus principais acionistas estão um fundo de investimento gerido pelo município de Wuhu e uma afiliada da Luxshare, fornecedora da Apple. As exportações de automóveis chineses, incluindo veículos elétricos, registraram um forte crescimento este ano. Esse movimento é impulsionado pela alta nos preços do petróleo — decorrente do conflito entre Estados Unidos e Irã — e pelo esforço das montadoras chinesas em expandir sua presença no exterior para compensar a queda nas vendas internas. Mercados como o Japão tornam-se cada vez mais importantes para as fabricantes chinesas, em um cenário de crescentes atritos comerciais com outras regiões. No início deste mês, autoridades comerciais da União Europeia e da China chegaram a um acordo para limitar as exportações de veículos híbridos chineses. Em um discurso proferido na conferência anual da empresa na terça-feira, o presidente da Chery, Yin Tongyue, afirmou que a companhia "precisa ir além da simples venda de produtos" e "contribuir ativamente para as comunidades locais, melhorando a vida das pessoas que nelas residem". A marca Chery busca "conquistar respeito" ao redor do mundo, acrescentou ele. A empresa apresentou modelos de inteligência artificial (IA), baterias, chips e sistemas de condução autônoma desenvolvidos internamente, além de estabelecer a meta de colocar em circulação 100 mil "robotáxis" (veículos autônomos de transporte) até 2030. Yin prometeu "usar a IA para redefinir o automóvel", enquanto outro executivo destacou que a tecnologia já vem aumentando a eficiência no design de veículos e em outros fluxos de trabalho internos. A Chery também demonstrou as capacidades de robôs humanoides desenvolvidos por sua subsidiária, a AImoga, evidenciando a corrida entre as montadoras chinesas para desenvolver robôs como uma nova fonte de receita. Em uma simulação de concessionária, um robô aproximou-se de um veículo, segurou a maçaneta da porta e a abriu. No entanto, a presença de robôs humanoides nas próprias fábricas da Chery parece ser limitada. A principal unidade fabril da empresa em Wuhu — que possui uma capacidade de produção anual de cerca de 300 mil veículos — opera em dois turnos, cada um com aproximadamente 1 mil funcionários, informou um representante da companhia durante uma visita às instalações.
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