Leilão de baterias com conteúdo nacional atrai ao menos nove candidatas

Pelo menos nove empresas estão em processo de credenciamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para se tornarem fornecedoras nacionais para o leilão de reserva de capacidade de baterias de grande porte. O governo prepara dois certames, marcados para 2 e 4 de dezembro. O primeiro exigirá pelo menos 15% de conteúdo nacional e terá um preço-teto de R$ 1,76 milhão por MW/ano (megawatt por ano), 11% maior do que para projetos sem essa exigência. O processo de aprovação do BNDES tem duas etapas: primeiro, a empresa é credenciada como fornecedora; depois, precisa ter o seu sistema de baterias credenciado — etapa em que o banco verifica se o produto tem os requisitos de conteúdo nacional. Até agora, apenas uma companhia obteve o credenciamento completo do BNDES para seu modelo de bateria, a brasileira You.On. As outras companhias que já iniciaram o processo são as brasileiras Moura, WEG e SecPower; as chinesas BYD, Gotion, TBEA e Trina; e a canadense Canadian Solar. Os sistemas de armazenamento foram tema do evento “Reset Conecta: Transição Energética — Baterias em grande escala: o Brasil entra no jogo” realizado nesta quinta-feira (29), em São Paulo, e patrocinado pelo Bradesco. Alexandre Esposito, chefe da área de transição energética e clima do BNDES, diz ver um “compromisso firme” das participantes e ter a expectativa de que todas cumpram as exigências, com diferentes níveis de conteúdo local. O banco faz a comprovação de cada componente e avalia a capacidade produtiva das companhias diante do cronograma de entrega, que prevê o início da operação dos sistemas em agosto de 2028. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vê risco de o Brasil enfrentar déficit de potência além do limite regulatório a partir de 2027. Outras empresas ainda planejam fazer o processo de habilitação, como já anunciou a brasileira UCB Power. “A resposta de industrialização foi muito forte”, disse Fabio Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae). “Quando a gente olha o quadro de componentes estratégicos e auxiliares de um sistema, vê quão longa é a cadeia. Ela pode ser semelhante à automotiva em nível de complexidade.” Três companhias — Moura, Automa e Reivax — também estão no processo de credenciamento para serem fornecedoras de software. Rotas tecnológicas Há quatro “rotas” de credenciamento no BNDES que as empresas podem seguir: junto ao mínimo de 15% de conteúdo nacional nos sistemas de armazenamento (formados pela bateria em si e outros equipamentos), a primeira exige pelo menos três componentes produzidos no Brasil, sendo um considerado estratégico. As demais rotas exigem que as baterias em si tenham um mínimo de conteúdo local. A rota 1 deve concentrar o maior número de empresas, uma vez que todas precisam se adaptar a esse patamar mínimo, mas Esposito vê potencial para companhias alcançarem a rota 4, com maior parcela de produção local. A ideia é que o leilão atue como um indutor de uma indústria que ainda está começando no Brasil — para isso, as regras seguem um modelo desenvolvido pelo BNDES no passado para a indústria de fabricantes de componentes para energia eólica. “No longo prazo, o objetivo é a gente conseguir fazer uma convergência de capex e de preço final entre os projetos com conteúdo nacional e aqueles sem”, diz Esposito, do BNDES. Embora o país tenha players importantes de baterias para outros fins, como a pernambucana Moura, a cadeia de produção dos sistemas de armazenamento de energia (conhecidos pela sigla em inglês BESS) é dominada pela China, que concentra a capacidade de fabricação do componente fundamental, as células. Crédito mais barato O credenciamento no BNDES habilita as empresas a participarem do leilão de conteúdo nacional e também a buscarem financiamento do próprio banco. Quanto maior for a parcela de conteúdo nacional, melhores as condições ofertadas. Para a empresa que se credenciar da rota 2 em diante, o financiamento do BNDES obtido pela empresa virá todo do Fundo Clima, um dos principais instrumentos de financiamento climático do país, que abastece as linhas de crédito subsidiadas do BNDES e do Eco Invest. O custo nominal do crédito do Fundo Clima é de 6,5% ao ano. Na rota 1, a empresa terá acesso a 80% de crédito do Fundo Clima e o resto via outras linhas do próprio BNDES. Como os projetos têm grandes dimensões e valores, a tendência é que as empresas componham o financiamento com recursos de outros mecanismos, como linhas de bancos públicos, bancos privados e mercado de capitais. Para Fabiana Costa, superintendente de sustentabilidade do Bradesco, a natureza do setor de baterias vai exigir que os bancos trabalhem com múltiplos produtos, de debêntures incentivadas a fiança e crédito. “Não há necessariamente um produto específico de prateleira, mas um portfólio que a gente precisa endereçar”, disse. O quinto leilão do Eco Invest, voltado para cadeias produtivas ligadas à inovação, incluiu um fundo temático para minerais críticos, mobilidade elétrica e baterias. A cadeia foi arrematada pelo Santander, que vai mobilizar R$ 6,5 bilhões e aposta no segmento de armazenamento de energia por considerar o setor o mais maduro entre as três frentes. Os leilões de bateria são esperados há anos no Brasil para dar mais flexibilidade e potência ao setor elétrico, que viu a geração por fontes intermitentes — como solar e eólica — crescer de forma acelerada na última década. Players ainda aguardam definições sobre regras importantes, como o rateio dos custos dos sistemas, hoje previstos para serem repassados para as empresas geradoras de energia. O post Leilão de baterias com conteúdo nacional atrai ao menos nove candidatas apareceu primeiro em Reset.

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