Os mercados começam o dia em clima de maior aversão ao risco lá fora, de olho nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e ainda afetados pelo sentimento negativo que tem sido predominante sobre as teses relacionadas à inteligência artificial. Essa temática também pesou na véspera, com S&P 500 e Nasdaq fechando com leves recuos na segunda-feira. Enquanto a B3 estava fechada por conta do feriado, o EWZ caiu levemente em Nova York. O ETF que replica as principais ações brasileiras até ensaiou uma recuperação depois da derrocada da semana passada, mas acabou sendo puxado pelo desempenho negativo da Petrobras, que acompanhou o tombo do petróleo após (novas) sinalizações de um possível acordo entre EUA e Irã. Em semana recheada de eventos, além das midterms, teremos ADP e Payroll nos Estados Unidos, bem como resultados corporativos como AMD, Uber e Berkshire, entre outras. A Apple divulgou números recordes ontem, mas não animou (mais sobre isso abaixo). No Brasil, teremos Caged e decisão sobre juros amanhã, produção industrial de setembro na quinta-feira e balança comercial na sexta. Nesta semana também se intensifica a divulgação de balanços corporativos, com destaque para Itaú e RD hoje, Smartfit e Axia amanhã, Localiza e Lojas Renner na quinta-feira, além de Alpargatas na sexta. Será especialmente interessante ver os resultados de Itaú e das varejistas, que devem nos trazer um termômetro de como se comportou a atividade no 3T. Ainda assim, o movimento não foi suficiente para ajudar S&P 500 e Nasdaq, que caíram no primeiro pregão de novembro, depois de um mês de outubro já negativo, afetado pelos receios com a sustentabilidade dos investimentos em IA — a Nasdaq recuou mais de 5% no mês passado. Ontem a Oracle afundou quase 9% após anunciar uma oferta de US$ 20 bilhões entre ações e dívida, o que só reforça a desconfiança dos investidores de que as empresas estão com dificuldades de obter retornos com seus aportes em IA. Para atrapalhar ainda mais o humor, a Apple divulgou previsões pouco animadoras para o próximo trimestre. O trimestre fiscal encerrado em setembro bateu o consenso em praticamente todas as linhas: receita de US$ 114,5 bilhões, alta de 12% e recorde para o período; iPhone em US$ 57,6 bilhões, avanço de 17%; Serviços em US$ 31,6 bilhões, máxima histórica; e lucro por ação de US$ 2,10, 14% maior. Mesmo assim as ações caem mais de 4% no pré-mercado, já que a companhia agora projeta margem bruta entre 45% e 46% no período de Natal, contra 47,9% no trimestre reportado e uma expectativa de mercado que rodava perto de 47%. A culpa é do custo de memória, que a própria Apple classificou como uma alta “sem precedentes”, além de gastos de nuvem com a nova Siri. É a conta da inteligência artificial chegando. A temporada de resultados seguirá sendo um guia importante para o mercado entender se o recuo em outubro foi exagerado, ou se ainda há espaço para mais correção. Ainda nos Estados Unidos, as atenções hoje se voltam para as midterms, com implicações importantes para a agenda de Donald Trump nos próximos dois anos. Segundo pesquisas, existem boas chances de os republicanos perderem a maioria tanto na Câmara dos Representantes como no Senado, influenciados pela baixa popularidade do presidente norte-americano em meio à alta generalizada de preços. 03:40 – Decisão no turbilhão O Relatório Focus divulgado nesta manhã mostrou mudanças relevantes, mas esperadas, após o resultado eleitoral, com piora nas expectativas para a Selic e para o dólar em todos os anos abordados no relatório. Destaque para a Selic de 2027, que saltou de 11,75% para 12,50%, enquanto a moeda norte-americana foi de R$ 5,15 para R$ 5,40. No meio deste turbilhão, o Banco Central decide amanhã os juros, com apostas majoritárias em manutenção da taxa Selic em 13,75%. Mais do que a decisão em si, o mercado ficará atento às sinalizações sobre os novos passos do Copom diante das incertezas. Outro indicador importante para balizar essas expectativas será o Caged, marcado para ser divulgado na tarde de amanhã, com expectativa de criação de 171 mil vagas em setembro. 05:10 – Barato, sob uma condição No Brasil, depois da derrocada de 18% do Ibovespa na semana passada — a maior queda semanal desde a pandemia —, o mercado volta do feriado tentando entender qual deveria ser o múltiplo justo da nossa bolsa, sendo que ninguém sabe muito bem como serão as diretrizes econômicas nos próximos quatro anos. Por 9x preço/lucro ex-Petrobras e Vale, mais de um desvio padrão abaixo da média, o múltiplo parece barato, mas só se tivermos algum ajuste fiscal. Sem o ajuste, certamente o equilíbrio é ainda mais para baixo… O ponto positivo dessa incerteza é que ela fez alguns papéis de muita qualidade, e que já atravessaram períodos bastante difíceis no passado, voltarem a negociar em patamares atrativos, que só momentos como este proporcionam. Como temos reforçado há algumas semanas, o momento exige ações de companhias sólidas e capazes de resistir a ciclos desafiadores sem grandes sustos. Nesse contexto difícil, o Itaú (ITUB4) divulga resultados hoje, e não esperamos números brilhantes. Por outro lado, depois de balanços relativamente fracos de Bradesco e Santander, esperamos desempenho melhor do Itaú em relação aos pares em termos de despesas com provisão e inadimplência, ainda que o crescimento de carteira deva permanecer tímido, o que em nossa visão é uma decisão acertada para enfrentar o ambiente atual. Por cerca de 9x lucros esperados para 2026 e um ROE superior a 25%, entendemos que o Itaú combina o crescimento e a solidez necessários para qualquer carteira neste momento. O post Ibovespa hoje: Focus traz novas projeções para a Selic e eleições de meio de mandato nos EUA alimentam aversão ao risco; veja destaques desta terça (3) apareceu primeiro em Empiricus.
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