Mais do que adotar tecnologia nos negócios, é preciso saber aplicá-la corretamente e, em tempos de inteligência artificial (IA), a tarefa de formular problema é essencial, diz o diretor de tecnologia (CTO) da Localiza, André Petenussi, na conferência MBA Brasil, evento dedicado para brasileiros interessados em fazer o programas de gestão no exterior. “A grande capacidade no mundo de IA é aprender a como formular um problema e, mais ainda, a aprender a desconfiar da resposta. Quem conseguir fazer isso com excelência vai ser um top performer um profissional de alto desempenho nesse novo mundo”, afirma. “Às vezes, é muito tentador aceitar a primeira resposta que aquela tecnologia deu. Por estarmos fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, é muito fácil apenas seguir o fluxo e não desconfiar que o que foi proposto está errado.” Durante o evento, Petenussi também afirmou que, com a tecnologia disponível para muitos players, o diferencial está em algo que sempre foi importante nos negócios, o conhecimento da própria realidade. “Diversas empresas investem uma porção significativa para criar competência de tecnologia, e talvez tenham esquecido que o valor não está aí. A tecnologia é um viabilizador, mas o valor está em quanto você conhece sua operação; o quanto você conhece seu cliente.” Para o diretor da Localiza, assim como a energia elétrica moldou a sociedade com o melhor uso do dia e a internet reorientou a comunicação humana, a inteligência artificial está transformando e irá transformar ainda mais a forma como o trabalho é feito; como as pessoas se agrupam para gerar riqueza. “Mas para que isso ocorra é preciso pensar em uma capacitação enorme. Neste sentido, uma boa liderança na transformação é essencial. Além de aprender, tem que incentivar a aprender.” Também presente no painel, Newton Neto, diretor sênior de parcerias do Google para América Latina e Canadá, chama atenção para a armadilha de ficar tentando mapear tendências de uma nova tecnologia. “Isso acaba gerando um viés que te impede de aprender coisas novas. Tem que ter a habilidade de discutir, de conversar com parceiros, sair para escutar, entender as dores reais, e não ficar preso na própria bolha", afirma. Ao fim da palestra, Neto diz aos ouvintes, a maioria estudantes brasileiros nos Estados Unidos, que não devem desistir de estudar e fazer o MBA por conta das transformações tecnológicas ainda em andamento. “Os caminhos que a tecnologia proporciona são caminhos alternativos àqueles mais tradicionais", diz, acrescentando que bons profissionais vão saber se adaptar às mudanças e porque são mais generalistas. *O jornalista foi a Chicago a convite do MBA Brasil
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