EUA alertam aliados para possíveis ataques contra o Irã após eleições legislativas

Os Estados Unidos alertaram países aliados do Oriente Médio para que se preparem para uma possível retomada dos ataques militares contra o Irã após as eleições legislativas americanas de 3 de novembro, segundo dois diplomatas ouvidos pela Associated Press (AP). Washington também recomendou a adoção de medidas preventivas diante do risco de retaliações de Teerã contra instalações de energia e outras infraestruturas essenciais, conforme a reportagem da agência. Leia também: Irã vê apenas ‘ideias inaceitáveis’ na mais recente mediação para encerrar guerra Separatistas no Irã intensificam ataques, antecipando ofensiva em larga escala Guerra contra o Irã já custou US$ 47,1 bilhões aos EUA, diz Pentágono Os diplomatas, que falaram sob condição de anonimato, ressaltaram que o presidente Donald Trump ainda não tomou uma decisão definitiva sobre uma nova ofensiva. O chefe da Casa Branca, porém, tem afirmado repetidamente que considera retomar os bombardeios após as eleições de meio de mandato. Segundo as fontes, autoridades americanas informaram aos aliados que uma eventual operação militar poderia durar vários dias. Governos da região, por outro lado, temem que a resposta do Irã e de grupos armados apoiados por Teerã escalem os conflitos por um período maior. A Casa Branca e as autoridades americanas não quiseram comentar os alertas à AP. A possibilidade de novos ataques surge em um momento de aumento da instabilidade regional. Rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, realizaram sucessivas ofensivas contra instalações petrolíferas e aeroportos da Arábia Saudita, levando uma coalizão liderada pelos sauditas a responder com bombardeios contra territórios controlados pelo grupo iemenita. Apesar das ameaças, o governo iraniano afirma que ainda busca uma solução diplomática. Na quarta-feira (28), o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que Teerã "continua dando uma chance para que a diplomacia tenha sucesso" e trabalha com mediadores para discutir propostas apresentadas no mês passado. As sugestões, rejeitadas por Trump anteriormente, ainda são consideradas pela República Islâmica uma possível base para a retomada de um cessar-fogo. Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, pediram moderação. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do país instou as partes a buscar soluções políticas para conter as tensões e evitar a retomada de operações militares em grande escala. Uma pessoa fantasiada de presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, olha para baixo de dentro de uma cela de prisão cenográfica durante uma apresentação em Teerã Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Reforço das forças americanas no Oriente Médio Na esteira das discussões sobre uma possível retomada de ataques, Washington tem procurado reforçar sua presença militar no Oriente Médio. No fim de setembro, o Pentágono enviou o porta-aviões USS Theodore Roosevelt e navios de desembarque anfíbio com cerca de 9 mil militares para o Golfo Pérsico. Segundo uma autoridade americana, o deslocamento poderia elevar a presença naval dos EUA na região a mais de 20 mil marinheiros e fuzileiros navais, além de centenas de aeronaves — uma mobilização registrada poucas vezes nas últimas duas décadas. Além disso, a tensão ocorre em meio ao surgimento de informações de que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, havia demitido o tenente-general Brett Sylvia, responsável pela área de Estratégia, Planos e Políticas do Estado-Maior Conjunto. De acordo com relatos de uma autoridade de defesa à AP, não foi apresentada uma justificativa para a demissão, e ainda não havia um substituto definido. A guerra contra o Irã se tornou um problema político para Trump às vésperas das eleições legislativas, nas quais os republicanos tentam preservar o controle do Congresso. O aumento dos preços da gasolina, provocado pelo conflito, tem pressionado os consumidores americanos e elevado os custos em diferentes setores da economia mundial. Soma-se a isso o fato de que os gastos dos EUA com o conflito já chegaram a US$ 47,1 bilhões, de acordo com uma estimativa do Pentágono encaminhada ao Congresso. O montante representa um aumento de US$ 3,5 bilhões desde o início de setembro. Em eventos de campanha das últimas semanas, Trump tem alternado promessas de um fim próximo da guerra com ameaças de novos bombardeios. Na terça-feira (27), por exemplo, durante um comício em Lubbock, no Texas, o presidente afirmou que o conflito poderia ter um desfecho definitivo "em algumas semanas".

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