O dólar comercial abriu o pregão de quinta-feira em alta, impulsionado por uma renovada cautela que levou a maior parte das classes de ativos globais a devolverem os ganhos da sessão anterior. O alívio gerado pela decisão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos de aumentar o limite de operações de recompra de Treasuries de longo prazo mostrou-se de curta duração. Consequentemente, as taxas da renda fixa americana voltaram a subir, elevando o custo de capital e a atratividade dos títulos americanos. Este movimento resultou no fortalecimento do dólar contra diversas divisas de economias emergentes, indicando um fluxo de capitais para ativos de segurança. Para o investidor brasileiro, o fortalecimento do dólar (USDBRL) pressiona ativos locais, especialmente ações de empresas endividadas e de alto crescimento, ao passo que a taxa Selic pode ser impactada por um cenário externo mais adverso. Um paralelo histórico pode ser traçado com o 'Taper Tantrum' de 2013, quando o mercado reagiu negativamente à sinalização de retirada de estímulos pelo Fed, causando um pico nos yields de Treasuries. O próximo gatilho será a divulgação de dados de inflação e emprego nos EUA, bem como a próxima decisão do FOMC em setembro, que podem redefinir as expectativas de juros. No médio prazo, a persistência de taxas elevadas nos EUA pode manter o dólar forte, impactando o crescimento global e os mercados emergentes.
Nas próximas 2-3 semanas, o dólar (USDBRL, atualmente em R$5.1863) deve manter-se forte, com potencial para testar R$5.20-5.22, impulsionado pela persistente cautela global e a alta dos yields americanos. O principal gatilho de curto prazo será o relatório de payroll de setembro (2026-09-04), que pode confirmar a resiliência do mercado de trabalho dos EUA e reforçar a tese de juros altos. No médio prazo (1-2 meses), a decisão do FOMC em 2026-09-16 será crucial para definir a trajetória das taxas e do dólar.
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