Brent se mantém próximo da máxima em cinco meses em meio às tensões no Oriente Médio

Os preços do petróleo avançam nesta terça-feira (20), com o Brent oscilando próximo de uma máxima em cinco meses, à medida que os operadores incorporaram aos preços um prêmio de risco geopolítico decorrente dos ataques dos houthis à infraestrutura saudita e de relatos de ataques a embarcações no Golfo. Os contratos futuros do petróleo Brent subiam 93 centavos, ou 0,85%, para US$ 110,50 por barril às 4h40 (horário de Brasília), após atingirem US$ 110,70 por barril na sessão anterior, o nível mais alto desde 20 de maio. O contrato do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, com entrega em dezembro, subia 77 centavos, ou 0,78%, para US$ 99,31. “Os preços do petróleo continuam bem sustentados. Isso sugere que o mercado está incorporando um prêmio de risco significativo, diante da volatilidade da situação”, afirmaram analistas do ING em relatório. “No entanto, se os fluxos de petróleo continuarem sem interrupções, apesar do cenário geopolítico, o prêmio de risco provavelmente diminuirá gradualmente. Claramente, ainda não há sinais disso.” Pelo menos 18 embarcações teriam sido atacadas ao longo de duas semanas, o que mantém o prêmio de risco, informou a empresa de monitoramento de navios Kpler em um relatório divulgado nesta segunda-feira (19). Houthis reivindicam ataques a instalações sauditas Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram ontem ter lançado vários ataques contra alvos sauditas nos setores de energia, aeroportos e instalações militares, incluindo uma unidade da Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, e o aeroporto de Abha. As autoridades sauditas não confirmaram imediatamente as alegações, e a Reuters não conseguiu verificá-las de forma independente. Um ataque dos houthis a um campo de treinamento das forças de segurança do governo na província de Shabwa, no Iêmen, matou ontem 58 pessoas e deixou mais de 200 feridos. A retomada dos ataques intensificou os temores em relação à estabilidade regional e ressaltou os riscos contínuos para o abastecimento de energia proveniente da região, mantendo os preços do petróleo acima de US$ 100 por barril. Nos Estados Unidos, esperava-se que os estoques de petróleo bruto tivessem diminuído na semana passada, assim como os estoques de derivados, segundo uma pesquisa preliminar da Reuters. A ordem executiva assinada no fim da semana passada pelo presidente Donald Trump suspendeu importantes sanções e tarifas dos EUA relacionadas à Rússia, incluindo tarifas sobre mercadorias e penalidades aplicáveis à compra de energia russa. No entanto, Trump afirmou no sábado que ainda não havia anunciado uma decisão definitiva sobre o assunto, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que as autoridades precisavam de mais tempo para avaliar a situação. A produção de petróleo bruto da Rússia aumentou em 65 mil barris por dia em setembro, alcançando 8,43 milhões de barris por dia, mas permaneceu cerca de 870 mil barris por dia abaixo do nível registrado um ano antes, informou a Agência Internacional de Energia na semana passada. “Embora a perspectiva de uma oferta adicional de diesel russo represente algum alívio teórico, os operadores parecem muito mais concentrados no risco contínuo de novos danos à infraestrutura energética em toda a região do Golfo”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade.

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