Resultado primário do Brasil não é brilhante, mas não destoa do mundo, diz Joaquim Levy

O cenário macroeconômico global e doméstico mostra que, embora o Brasil enfrente desafios ligados ao resultado primário e ao controle de gastos públicos, a situação do país não destoa negativamente do restante do mundo, disse o ex-ministro da Fazenda, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e atual diretor de estratégia econômica e relações com o mercado do banco Safra, Joaquim Levy. “Quando eu olho o resto do mundo, o nosso resultado primário não é brilhante, mas também não destoa e hoje em dia está até melhor do que a grande parte dos países”, disse Levy nesta terça-feira (20), no Invest Mining, evento promovido pela Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (Adimb), Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM) e Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O encontro anual reúne mineradoras, empresas de pesquisa mineral, fundos e bancos para discutir oportunidades de negócios para o setor. “O próprio Chile este ano, por causa do problema de preço de petróleo, deu um pouquinho de subsídio para segurar a inflação e teve ali um déficit de 1,6% do PIB”, acrescentou, como exemplo. De acordo com estimativas divulgadas pela Instituição Fiscal Independente (IFI), o déficit primário estrutural do governo central alcançou 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado de quatro trimestres até junho deste ano, o dobro do registrado no mesmo período de 2025. O caminho para o país ter normalidade e situação monetária mais confortável, disse Levy, é avançar na melhoria do resultado primário. Levy disse que esse resultado, de 1,2% a 1,5% do PIB, estabiliza a dívida pública, desde que acompanhado de taxa de juros real neutra na casa de 4% a 4,5%. “Esse caminho já está traçado na nossa Lei de Diretrizes Orçamentárias, está traçado no próprio orçamento. O que a lei ainda não diz é como que você vai fazer isso, qual que vai ser o trabalho de você fazer isso de tal maneira que você consiga estabilizar a tua dívida”, acrescentou. Levy disse que o próximo governo terá essa missão. “A gente sabe qual é o ‘ratinho’ (meta). O ratinho é você alcançar essa questão fiscal. Quem vai ser o gato que vai fazer isso? A gente só vai descobrir semana que vem, mas qualquer que seja o gato que vai correr atrás do rato, esse ratinho ele vai ter que fazer”, completou. Ex-ministro da Fazenda, ex-presidente do BNDES e diretor de estratégia econômica e relações com o mercado do banco Safra, Joaquim Levy Silvia Costanti/Valor

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