Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao último debate presidencial, nesta sexta-feira (23), com orientações para mudar a postura adotada no primeiro confronto do segundo turno. Após uma noite marcada por ataques pessoais e acusações de corrupção na Band, as duas campanhas avaliam que os candidatos desperdiçaram oportunidades de conquistar eleitores indecisos. O novo encontro, promovido pela TV Globo, ocorre a menos de 48 horas da votação e em um cenário de empate técnico nas pesquisas. Na Quaest divulgada na quarta-feira (21), Flávio apareceu com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. A margem de erro é de dois pontos percentuais. As equipes identificaram problemas diferentes no desempenho de seus candidatos. Do lado petista, a preocupação é evitar que Lula seja conduzido pelas provocações do adversário e deixe de apresentar suas propostas. Entre os aliados de Flávio, a orientação é reduzir a agressividade, dar respostas mais objetivas e melhorar a interlocução com eleitores moderados. A leitura compartilhada pelas campanhas é que o primeiro debate reforçou posições já estabelecidas, sem produzir o diálogo esperado com quem ainda não havia escolhido um candidato. Leia também Real Time Big Data: Flávio tem 49% dos votos totais contra 45% de Lula Considerando os votos válidos, Flávio tem 52% contra 48% de Lula Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 47%, e Lula, 46%, a três dias do 2º turno A três dias da eleição, pesquisa mostra empate exato entre os candidatos nos votos válidos, de 50% Lula quer recuperar a iniciativa A campanha petista reservou quinta e sexta-feira para a preparação de Lula. Os trabalhos são coordenados pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, com a participação de outros conselheiros políticos. Segundo ouvido, a orientação é que o presidente mantenha uma postura tranquila e utilize o tempo para apresentar resultados de sua gestão e compromissos para um eventual quarto mandato. Na avaliação de aliados, Lula se mostrou incomodado com a movimentação de Flávio pelo estúdio durante o debate da Band e acabou dedicando parte excessiva de suas intervenções às acusações feitas pelo senador. O diagnóstico também aponta que o presidente deixou de explorar medidas com apelo junto ao eleitorado, como o fim da escala 6×1, concentrando parte de suas falas em propostas consideradas menos relevantes para a disputa imediata. Exército do Lula e Tropa do Flávio: como lógica do BBB chegou na eleição presidencial Para esta sexta-feira, a campanha pretende dar mais espaço à renegociação de dívidas, aos benefícios anunciados para microempreendedores e à proposta de transporte público gratuito aos fins de semana. Isso não significa abandonar o enfrentamento. Integrantes da equipe também prepararam Lula para explorar denúncias envolvendo Flávio, incluindo questionamentos sobre suas relações políticas e empresariais. O presidente deverá ainda estar preparado para responder a acusações envolvendo familiares e pessoas próximas de seu governo. A orientação é evitar que essas discussões comprometam o tempo reservado à apresentação de propostas. Tarcísio participa da preparação de Flávio No campo bolsonarista, a principal mudança envolve o comportamento do candidato durante o confronto. A equipe de Flávio avaliou que as provocações e os gestos feitos atrás de Lula no debate da Band provocaram reações negativas entre parte dos eleitores. Integrantes da própria direita consideraram que a postura poderia transmitir arrogância e prejudicar o desempenho do senador entre mulheres e moderados. Para corrigir essa impressão, a campanha ampliou o tempo de preparação e incorporou o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aos treinamentos. A participação de Tarcísio busca ajudar Flávio a adotar respostas mais técnicas e um discurso menos confrontador. Outros auxiliares foram mobilizados para temas específicos. Daniella Marques participa da preparação econômica, enquanto Guilherme Derrite auxilia o candidato nas discussões sobre segurança pública. Campanha de Lula muda tom e adota “estratégia do medo” contra Flávio Bolsonaro A campanha também pretende evitar respostas evasivas, apontadas por aliados como uma das dificuldades do senador no encontro anterior. A mudança de tom ocorre depois de Flávio utilizar o primeiro debate para explorar acusações contra Lula e pessoas próximas ao presidente. Agora, sua equipe considera necessário ampliar a apresentação de propostas e demonstrar capacidade de conduzir discussões sobre temas de governo. O que pode pesar no último confronto? A disputa sobre corrupção deverá continuar presente, especialmente depois das acusações trocadas no primeiro debate e do acordo firmado pelos candidatos para a quebra recíproca de sigilos bancários, fiscais e telefônicos, incluindo familiares. No encontro da Band, Lula questionou Flávio sobre sua relação com Daniel Vorcaro, controlador do antigo Banco Master, e a solicitação de recursos para um filme sobre Jair Bolsonaro. O senador, por sua vez, fez referências a investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger. A insistência nesses temas representa uma dificuldade para as duas estratégias. Embora as campanhas pretendam ampliar o espaço dedicado às propostas, acusações que exijam respostas podem consumir parte importante do tempo disponível. O que Flávio poderia fazer com um Congresso mais à direita em 2027 Outro ponto de atenção será a segurança pública. Flávio tem utilizado o tema para defender o endurecimento penal e o combate às facções criminosas. Lula aposta na ampliação da atuação federal e nas medidas propostas por seu governo contra o crime organizado. Na economia, o confronto poderá expor as diferenças entre as propostas fiscais. Flávio promete reduzir gastos e substituir o arcabouço fiscal, enquanto Lula defende a continuidade de sua política econômica, acompanhada de medidas para ampliar a renda das famílias. A necessidade de explicar como financiar esses compromissos também poderá abrir espaço para questionamentos sobre os programas de governo. O que está em jogo na reta final? As duas campanhas chegam ao último debate com um desafio de convencer eleitores que resistem às candidaturas, em vez de apenas mobilizar apoiadores já identificados com cada campo político. O peso desse grupo aumentou em uma eleição marcada por diferenças pequenas nas pesquisas. Segundo levantamento da Quaest, o percentual de eleitores que se declararam indecisos na pergunta espontânea passou de 7% para 14% entre duas rodadas realizadas em outubro. A disputa também envolve os eleitores que não compareceram ao primeiro turno, quando a abstenção superou 33 milhões de pessoas. Lula ou Flávio: quais são as propostas para tirar os brasileiros das dívidas? A avaliação das equipes é que o primeiro confronto teve pouca capacidade de atingir esse público. Por isso, Lula tentará recuperar o controle da discussão e destacar entregas de seu governo, enquanto Flávio buscará apresentar uma imagem mais moderada e ampliar a exposição de suas propostas. O efeito dessas mudanças sobre os votos, entretanto, é incerto. O debate ocorrerá quando boa parte do eleitorado já definiu sua preferência, e a circulação dos trechos nas redes sociais continuará depois do encerramento da transmissão. Para as campanhas, o desempenho desta sexta poderá influenciar tanto a escolha dos indecisos quanto a disposição dos apoiadores de comparecer às urnas no domingo (25). The post Menos ataques e mais propostas? As apostas de Lula e Flávio para o debate appeared first on InfoMoney.
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