O Banco Central do Paraguai (BCP) decidiu, por unanimidade, intervir no banco digital ueno após constatar uma “insuficiência em seu índice de solvência de 50% do mínimo exigido”, conforme comunicado divulgado nesta terça-feira (3). O indicador mede a capacidade de uma instituição financeira de honrar todas as suas dívidas e obrigações de longo prazo. Segundo a autoridade monetária, a intervenção, chamada de “procedimento de resolução”, busca “atender sua situação de maneira ordenada, proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”. Após a decisão, o presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo em meio a pressões políticas e ao escândalo financeiro do ueno, que ele já presidiu. O ueno pertence ao Grupo Vásquez, um conglomerado empresarial paraguaio. Ao fim de junho deste ano, o patrimônio líquido do banco digital era de US$ 401 milhões, na quinta maior posição entre os bancos privados daquele país. O número de clientes beira os 3 milhões. Segundo o comunicado do BCP, “a Superintendência de Bancos designou interventores para verificar a situação patrimonial do ueno. “Os interventores terão como prioridade preservar os ativos da entidade e executar, dentro de suas atribuições legais, as ações necessárias para garantir o desenvolvimento ordenado do procedimento de resolução.” Segundo a autoridade monetária, a proteção dos depositantes é uma prioridade do procedimento. Os depósitos contam com uma garantia de até 75 salários mínimos, por pessoa física ou jurídica em cada entidade financeira, em conformidade com o regime legal aplicável. “Este limite equivale, à data, a 228,3 milhões de guaranis (moeda paraguaia, equivalente a R$ 210,2 mil). “A cobertura é aplicada por depositante e por entidade, não por cada conta individual.” Simultaneamente, segundo o comunicado, o BCP “apoiará os mecanismos previstos na lei para garantir a maior proteção possível dos saldos que excedam a cobertura do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD)”. “A medida responde à situação específica da entidade. O BCP destaca que se trata de um caso pontual, que não representa uma condição generalizada do sistema financeiro paraguaio”, ressalta a autoridade monetária. O banco central afirma ainda que a proteção dos depositantes será acompanhada da investigação das responsabilidades e da aplicação de sanções correspondentes.
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