Em meio a decisões judiciais, canal ‘Exército do Lula’ passa dos 10 milhões de seguidores

O “Exército do Lula”, canal no WhatsApp comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), passou dos 10,1 milhões de seguidores, na tarde desta sexta-feira (23). O canal tem ajudado na mobilização dos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais e nas ruas, e é alvo de decisões judiciais conflitantes, de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Janones ganhou protagonismo na campanha de Lula no segundo turno ao ampliar o alcance das mensagens da candidatura petista nas redes sociais. O canal passou de cerca de 50 mil seguidores, no fim do primeiro turno, para mais de 10 milhões nesta sexta-feira, cerca de três horas antes do debate da TV Globo. Sob o risco de o canal ser derrubado antes das eleições no domingo (25), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, deu uma decisão nesta sexta-feira para impedir que o “Exército do Lula” seja suspenso sem o aval do plenário da Corte. O ministro determinou que o presidente do TSE, Nunes Marques, se abstenha de ordenar administrativamente uma nova suspensão do canal. Em sua decisão, Floriano disse que o presidente do TSE não tem competência administrativa para suspender canais de comunicação de pessoas físicas e indicou o risco de abuso de poder caso Nunes Marques volte a adotar medidas semelhantes. O ministro determinou ainda que a Meta, responsável pelo WhatsApp, cumpra sua decisão mesmo diante de eventuais ordens administrativas contrárias do TSE, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A decisão liminar atende parcialmente a um pedido apresentado pela coligação de Lula, que questionou as decisões tomadas por Nunes Marques nas últimas semanas para tentar derrubar o canal. O “Exército do Lula” foi alvo de uma sequência de decisões contraditórias no TSE. Há dez dias, o presidente da Corte determinou sua suspensão, atendendo a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), sob o argumento de que o canal não havia sido formalmente registrado na Justiça Eleitoral como vinculado à campanha de Lula. No mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que o canal fosse restabelecido, mas Nunes Marques determinou novamente sua suspensão. A candidatura de Lula registrou o canal no TSE e o presidente do TSE estabeleceu inicialmente um prazo de 48 horas para a retomada das atividades. Nunes Marques se reuniu com representantes das campanhas de Lula e Flávio e determinou o restabelecimento imediato do canal, afastando a necessidade de aguardar o prazo anteriormente fixado. Nesta sexta-feira, a campanha de Lula disse ter recebido a informação de que o canal seria suspenso novamente, às 18h, e, ao recorrer ao Judiciário, conseguiu a decisão de Floriano Marques. O TSE, no entanto, afirmou em nota que não determinou a derrubada de nenhum canal de WhatsApp do ar.

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