Cathy Hepworth, líder da equipe de dívida de mercados emergentes da PGIM, uma gestora com US$1.5 trilhão em ativos, enfatiza que o 'carry trade' é a estratégia de maior convicção no mundo em desenvolvimento, registrando seu período mais longo de sucesso desde a crise financeira de 2008. O mecanismo econômico por trás dessa tese reside nos diferenciais de juros elevados que muitos países emergentes oferecem em relação às economias desenvolvidas, atraindo capital em busca de rendimento. Consequentemente, ativos como ETFs de dívida de EM (EMB), moedas como o Real brasileiro (USDBRL) e ações de empresas exportadoras e de infraestrutura (EWZ, EQTL3) tendem a se beneficiar desses fluxos de entrada. Para o investidor brasileiro, a valorização do Real e o potencial de rendimentos mais altos em títulos de dívida local, como prefixados e atrelados à inflação, representam oportunidades significativas, embora o risco cambial persista. Historicamente, períodos de carry trade prolongado, como o pré-2008, foram seguidos por volatilidade acentuada, sugerindo a necessidade de monitorar gatilhos como mudanças abruptas na política monetária global ou aumento da aversão a risco. No horizonte de médio prazo, a sustentabilidade do carry trade dependerá da manutenção dos diferenciais de juros e da estabilidade macroeconômica nos países emergentes.
Nos próximos 3-6 meses, o carry trade em mercados emergentes deve continuar a atrair capital, especialmente se o Fed mantiver sua postura atual e os diferenciais de juros permanecerem amplos. O gatilho para uma reversão seria um choque macroeconômico global ou uma mudança na política de juros dos principais bancos centrais de EM. Monitorar as decisões do FOMC em 16 de setembro e do COPOM em 17 de setembro será crucial para avaliar a sustentabilidade dessa tendência.
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