O Irã ameaçou atacar instalações petrolíferas, cabos submarinos, centros de dados e estruturas de inteligência artificial (IA) de até sete países do Golfo caso os Estados Unidos e Israel retomem a ofensiva militar contra o país, informou o Guardian nesta sexta-feira (23). O alerta foi feito por Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, em meio ao aumento das tensões na região e à possibilidade de uma retomada da guerra. Leia também: Irã diz ter atingido navios e pressão sobre petróleo cresce Análise: Recuperação das exportações de petróleo do Oriente Médio não significa volta à normalidade Linha-dura que infiltra religião em quartéis de Israel desafia Netanyahu De acordo com informações da imprensa iraniana citadas pelo jornal britânico, Rezaei afirmou que Teerã prepara uma resposta mais ampla para o caso de novos ataques ordenados pelos governos de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu. "Em caso de guerra, cabos, centros de dados e instalações de inteligência artificial também poderão ser alvos. Se o conflito voltar a eclodir, teremos um plano mais amplo", declarou. Ele acrescentou que a República Islâmica não aceitará um arranjo em que sua infraestrutura econômica seja atacada enquanto as estruturas que sustentam as operações de seus adversários permaneçam “intocáveis e imunes”. A ameaça foi reforçada por Mehdi Mohammadi, assessor de Mohammad Ghalibaf, que liderou as negociações iranianas com Washington para encerrar o conflito anterior. Segundo Mohammadi, Trump e Netanyahu já concordaram, em princípio, com uma nova ofensiva, embora não possam garantir seu resultado. "Vemos o próximo conflito como uma ameaça existencial. Uma terceira guerra em dois anos significa uma ameaça à nossa existência. Nossa estratégia é 'nenhuma linha vermelha'”, afirmou. Mohammadi advertiu ainda que, em caso de uma nova guerra, o Irã pretende ampliar a duração e o alcance geográfico do conflito para além do previsto por seus adversários. Nesse caso, diz, a estratégia de Teerã será não estabelecer "nenhuma linha vermelha" para sua resposta. As declarações das autoridades iranianas ocorrem em meio a relatos da imprensa americana de que assessores militares dos EUA elaboraram uma lista de alvos para uma possível ofensiva conjunta com Israel após as eleições legislativas americanas de 3 de novembro. Entre os potenciais alvos estariam instalações de mísseis, estruturas petrolíferas e unidades nucleares iranianas. Nos últimos quatro meses, entretanto, Trump recuou da decisão de voltar a atacar o Irã ao menos sete vezes, o que gera incerteza sobre a possibilidade de novas ofensivas. A troca de ameaças, além disso, coincidiu com a realização de exercícios militares conjuntos prolongados pelos EUA e de Israel, incluindo simulações de operações sobre o Iraque. O site Axios informou que dezenas de aviões israelenses também voaram perto da fronteira iraniana no início desta semana. Soma-se a isso o fato de Netanyahu ter se reunido na segunda-feira com o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, em Israel para discutir o momento e os objetivos de uma possível ofensiva. Segundo relatos obtidos pelo Guardian, o premiê israelense teria manifestado preferência por uma situação em que o Irã atacasse primeiro. Ainda conforme o Guardian, é esperado que um reforço da presença militar americana no Oriente Médio seja concluído até o início de novembro. De acordo com o jornal, Trump pretende posicionar três porta-aviões, milhares de fuzileiros navais, caças e forças de operações especiais na região. A possibilidade de uma retomada das hostilidades também coincide com uma nova escalada de tensões no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte mundial de petróleo. Na quarta-feira (21), a Guarda Revolucionária iraniana (IRGC, na sigla em inglês) afirmou ter atingido quatro navios comerciais que tentavam atravessar a região, além de outras três embarcações que teriam colidido com minas. Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, em Omã REUTERS/Stringer O episódio contribuiu para elevar os preços do petróleo. O barril do Brent, referência global da commodity, era negociado acima de US$ 114 por barril por volta das 8h30 desta sexta-feira, próximo de máximas recentes. Apesar da escalada das ameaças, os esforços diplomáticos continuam. Mediadores do Irã e do Paquistão voltaram a discutir nesta semana propostas para um cessar-fogo, incluindo a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados em troca do fim do bloqueio de Ormuz. A permissão para que inspetores da ONU examinem instalações nucleares iranianas bombardeadas e a transferência do estoque de urânio altamente enriquecido do país para uma terceira nação também estão entre os pontos em discussão. Teerã ofereceu encerrar o bloqueio do estreito em até sete dias e iniciar negociações sobre seu programa nuclear, mas condicionou essas medidas ao atendimento prévio de exigências, entre elas a suspensão das sanções americanas. Uma pessoa fantasiada de presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, olha para baixo de dentro de uma cela de prisão cenográfica durante uma apresentação em Teerã Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
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