China abre reunião do Partido Comunista com foco em disciplina e combate à corrupção

O Partido Comunista da China iniciou nesta segunda-feira (26) uma reunião de seus principais dirigentes para reforçar a disciplina interna e pressionar autoridades a cumprir as determinações de Pequim. O encontro prepara o terreno para uma reorganização da liderança no próximo ano, que deverá prolongar o governo do presidente Xi Jinping por mais cinco anos. Xi apresentou à reunião de quatro dias do Comitê Central do partido um documento preliminar centrado na “autogovernança plena e rigorosa do partido”. Segundo a agência estatal de notícias Xinhua, o texto aborda os desafios enfrentados pela legenda, incluindo o fortalecimento de sua capacidade de governar, além da necessidade de evitar a complacência e combater a corrupção, principal bandeira de Xi. A implementação das principais decisões e dos planos do Comitê Central, o maior dos principais órgãos de decisão do partido, não pode ficar apenas na retórica, afirmou um comentário publicado pela Xinhua. “É essencial tanto aperfeiçoar as normas e os regulamentos institucionais para eliminar brechas e fortalecer as salvaguardas quanto garantir sua implementação efetiva”, afirmou o texto. O Comitê Central estará reunido a portas fechadas de segunda a quinta-feira. Será o quinto encontro desse tipo desde a formação de sua atual composição, em 2022, razão pela qual é conhecido como “quinto plenário”. Analistas afirmam que esta poderá ser a última grande reunião do partido antes da reorganização da liderança em 2027, quando se espera que Xi permaneça no cargo mais alto por um quarto mandato. “O plenário apresentará Xi como alguém que está no controle e é capaz de continuar no comando”, disse Kerry Brown, diretor do Instituto Lau China, do King's College London. “É provável que tudo gire em torno dele, para dissipar quaisquer rumores ou dúvidas sobre sua condição física e sua capacidade de continuar no cargo.” Como as principais questões de política pública já foram amplamente definidas em reuniões anteriores, “este será um plenário em que as aparências terão tanta importância quanto o conteúdo, se não mais”, acrescentou Brown. Xi supervisionou uma ampla campanha anticorrupção nos últimos anos, que levou ao expurgo de centenas de autoridades de alto escalão e generais, incluindo antigos aliados do próprio presidente. Embora alguns afirmem que os expurgos, especialmente os que atingem os escalões mais altos das Forças Armadas, provocam instabilidade e prejudicam a prontidão para o combate, o partido apresenta a campanha como necessária e regeneradora, afirmando que os militares precisam passar por um renascimento semelhante ao da fênix e “banhar-se em chamas e ser forjados novamente”. O comentário da Xinhua apresentou a campanha anticorrupção como uma demonstração de autogovernança “sustentada e sistêmica”, destinada a “garantir que as autoridades não ousem, não possam e não queiram cometer atos de corrupção”. “Para investidores e formuladores de políticas de todo o mundo, isso sinaliza maior previsibilidade”, afirmou o texto, argumentando que a China também está criando um ambiente mais transparente para a cooperação internacional, à medida que o mérito e o Estado de Direito prevalecem sobre as relações pessoais e o suborno. Normalmente, são realizados sete plenários, cada um geralmente associado a uma pauta específica, entre os grandes congressos do partido, que ocorrem duas vezes por década. A Constituição do partido exige a realização de pelo menos um plenário por ano. O quinto plenário costuma discutir o planejamento estratégico do país, o plano quinquenal, mas o atraso incomum do terceiro plenário, adiado por mais de seis meses até meados de 2024, alterou o calendário convencional.

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