Ueno Bank: entenda a crise que bloqueou milhões de contas no Paraguai Um banco com quase 3 milhões de clientes, contas bloqueadas e uma investigação que envolve dezenas de pessoas. O Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do Paraguai, entrou em crise após o Banco Central identificar problemas graves em sua situação financeira e determinar a suspensão de suas operações. A intervenção, decidida em 2 de novembro e anunciada no dia seguinte, deixou clientes sem acesso normal ao dinheiro e provocou uma corrida por informações sobre a devolução dos depósitos. O caso também ganhou proporções políticas, chegando à renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña nesta quinta-feira (5). Mas o que levou uma instituição que cresceu tão rapidamente a essa situação? E, principalmente, o que acontece agora com o dinheiro dos clientes? A Black Friday da Suno já começou! Essa é a chance de desbloquear mais de R$ 300 mil em bônus e um plano de investimentos para os próximos três anos. Confira as condições especiais! Da expansão à intervenção: o que aconteceu com o Ueno Bank O Ueno ganhou espaço no Paraguai apostando em serviços digitais e ampliou sua presença em 2024, após incorporar o Visión Banco. A instituição chegou a aproximadamente 2,9 milhões de clientes, número próximo à metade da população do país. O crescimento, porém, foi acompanhado por problemas financeiros. Segundo o Banco Central do Paraguai (BCP), o índice de solvência do banco caiu para menos da metade do mínimo regulatório, indicando capital insuficiente para absorver possíveis prejuízos. Diante da situação, a autoridade monetária iniciou um processo de resolução, que prevê a atuação de interventores para avaliar o patrimônio, administrar os ativos e organizar a devolução dos depósitos. Empréstimos suspeitos e 27 pessoas investigadas A crise também envolve suspeitas de irregularidades em operações de crédito. Segundo o Ministério Público paraguaio, o Ueno teria concedido empréstimos elevados a empresas ligadas ao próprio grupo econômico, em condições que não atenderiam aos critérios adequados de avaliação de risco. Entre as operações investigadas está a transferência de uma carteira de crédito de US$ 74,4 milhões. A Promotoria também identificou saldos pendentes de aproximadamente US$ 167 milhões e 343 bilhões de guaranis em operações cuja recuperação pode estar comprometida. Em 4 de novembro, 27 pessoas ligadas ao banco e a empresas relacionadas foram formalmente acusadas de possíveis crimes financeiros. Oito dirigentes foram detidos. As investigações continuam, sem condenações definitivas. O caso ganhou repercussão política devido à relação anterior de Santiago Peña com o grupo controlador do Ueno e à presença de aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos na instituição. Peña, que deixou de ser acionista do conglomerado em 2025, negou irregularidades e apresentou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio à pressão política provocada pela crise. Devolução dos depósitos já começa no Paraguai A principal preocupação dos clientes é recuperar o dinheiro mantido no Ueno Bank. O Paraguai possui um Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), que protege até 75 salários mínimos por depositante e instituição financeira, equivalentes a 228,3 milhões de guaranis. Para acelerar os pagamentos, foi aprovada uma medida que permite antecipar até 40 salários mínimos, aproximadamente 121,76 milhões de guaranis, respeitando os valores elegíveis e eventuais dívidas vencidas com o banco. Nesta quinta-feira (5), o Banco Central anunciou o início do processo de pagamento para clientes que reúnam três condições: depósitos de até 10 milhões de guaranis, ausência de dívidas com o Ueno e conta ativa em outra instituição financeira. Esses clientes poderão recuperar integralmente os valores nessa etapa. Os demais serão atendidos conforme novos cronogramas, e o dinheiro que ultrapassar o limite garantido dependerá da recuperação dos ativos do banco. As orientações estão disponíveis em bcp.gov.py/fgd-pagos. Brasileiros também podem ser afetados pela crise Os impactos podem alcançar brasileiros que moram, estudam ou mantêm negócios no Paraguai, especialmente nas cidades próximas à fronteira. Estudantes que dependem de transferências familiares, comerciantes e empresas que utilizavam o Ueno para pagamentos podem enfrentar dificuldades enquanto os recursos permanecem indisponíveis. Brasileiros com depósitos no banco estão sujeitos às mesmas regras de garantia previstas na legislação paraguaia. O FGC brasileiro não cobre dinheiro depositado no Ueno Bank. Para quem mantém apenas contas em instituições brasileiras, não há indicação de bloqueios decorrentes da crise. O Banco Central paraguaio também afirma que a situação é específica do Ueno e não representa uma crise generalizada do sistema financeiro do país. Linha do tempo da crise do Ueno Bank Junho de 2024: o Ueno incorpora o Visión Banco e amplia sua presença no mercado paraguaio. 2 de novembro de 2026: o Banco Central determina o início do processo de resolução da instituição. 3 de novembro: a decisão é anunciada, as operações são suspensas e clientes perdem acesso normal às contas. 4 de novembro: o Ministério Público formaliza acusações contra 27 pessoas, enquanto o país aprova medidas para antecipar a devolução dos depósitos. 5 de novembro: o Banco Central anuncia o primeiro grupo de pagamentos. No mesmo dia, Santiago Peña apresenta sua renúncia à Presidência. Enquanto as autoridades investigam possíveis irregularidades e organizam a recuperação dos recursos, o Ueno Bank permanece em processo de resolução. Para os clientes, a orientação é acompanhar os comunicados oficiais e desconfiar de contatos que prometam liberar valores mediante pagamentos ou transferências.
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