Enquanto os juros reais de longo prazo globalmente registraram um rápido aumento, no Brasil, as perspectivas de correção das contas públicas após o primeiro turno das eleições impulsionaram a queda das taxas das NTN-Bs de 10 anos. Essa combinação fez o diferencial entre as NTN-Bs e os TIPS (títulos americanos equivalentes) despencar, cruzando o nível de 4 pontos percentuais. Empresas com dívidas de longo prazo e setores sensíveis a juros, como construção civil e varejo, podem se beneficiar do menor custo de capital. A redução do custo da dívida pública e privada no Brasil pode impulsionar o valor presente de fluxos de caixa futuros para as empresas, refletindo uma melhora na percepção de risco do país. Historicamente, períodos de maior credibilidade fiscal, como após a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal em 2000, resultaram em convergência das taxas de juros domésticas com as internacionais. Acompanhar a evolução das propostas de ajuste fiscal e os indicadores de dívida pública, bem como as decisões de política monetária dos bancos centrais globais, é crucial para o desfecho. A continuidade da trajetória de queda dos juros reais dependerá da materialização das reformas fiscais e da sustentabilidade da dívida pública, enquanto juros globais elevados podem limitar a compressão doméstica.
A concretização das medidas de ajuste fiscal e a divulgação dos próximos relatórios de dívida pública e superávit primário, com atenção especial às votações no Congresso sobre reformas estruturais. Além disso, as decisões de política monetária do FOMC (2026-11-04) e do COPOM (2026-11-05) influenciarão a trajetória de juros, tanto globais quanto domésticos.
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