Remuneração de conselheiros do Ibovespa salta 29% desde 2023

Um relatório intitulado 'Liderança Empresarial 2026', conduzido pela consultoria Vila Nova, revelou que a remuneração mediana dos conselheiros de companhias de capital aberto brasileiras listadas no Ibovespa teve um aumento de 29% desde 2023, atingindo R$ 798.257 anualmente. Para os presidentes de conselho, o crescimento foi ainda mais expressivo, de 54%, elevando a remuneração mediana anual para R$ 2.200.000. Norton Lara, sócio sênior da consultoria, atribui essa valorização à maior complexidade e responsabilidade dos cargos, que agora englobam discussões sobre cibersegurança, sustentabilidade e inteligência artificial, além de maior escrutínio regulatório e de investidores. Em contraste, a remuneração mediana dos CEOs subiu apenas 6% no mesmo período, alcançando R$ 11.656.173 anuais, enquanto a de diretores estatutários teve alta de 19%. Os dados referem-se ao exercício fiscal encerrado em 31 de dezembro de 2025 e foram compilados a partir de informações públicas de 76 empresas do Ibovespa. O estudo também aponta que a predominância de engenheiros e administradores entre os CEOs (78%) e conselheiros (53%) persiste, embora advogados e economistas estejam mais presentes nos conselhos (28%) do que entre os CEOs (15%). Apesar do aumento da importância dos conselhos, o mapeamento indicou estagnação na participação de mulheres e pessoas negras. Embora 94,7% das empresas do Ibovespa tenham ao menos uma conselheira (ligeiro aumento de 90% no ano anterior), o número total de conselheiras avançou minimamente de 155 em 2023 para 159 em 2026, representando 19,4% e 22,4% do total, respectivamente. A porcentagem de conselheiros que se autodeclaram pretos ou pardos manteve-se em 5% desde 2025. Lara expressa preocupação com um possível risco de acomodação na pauta da diversidade, sugerindo que os avanços iniciais podem não ser suficientes.

Análise

Será crucial observar os próximos relatórios de governança corporativa e os resultados financeiros anuais, especialmente no que tange à justificativa para esses custos e ao progresso em diversidade, com a divulgação dos balanços e relatórios de sustentabilidade de 2026 e 2027.

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