A Aeris Energy, empresa do setor de pás eólicas, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas que somam R$ 1,5 bilhão. A medida, que teve aval do conselho de administração, depende ainda da ratificação em assembleia de acionistas em data a ser definida. Em fato relevante, a companhia informou que o plano já obteve a adesão de credores que representam 42,18% dos créditos abrangidos, percentual superior ao terço exigido pela legislação, e busca alcançar mais de 50% em 90 dias para a homologação. Segundo o pedido, protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, a Aeris enfrenta uma "crise econômico financeira" decorrente de fatores como crescimento acelerado em 2019, impactos da pandemia de covid-19, uma emissão bilionária de debêntures em 2021, variações nos preços de energia no mercado livre em 2022 e "curtailment" (cortes de geração renovável) que se agravaram a partir de 2023, além do cenário macroeconômico. A empresa alega que a retração da demanda e "interferências regulatórias sobre o preço da energia renovável" frustraram as premissas de faturamento, tornando a geração de caixa insuficiente para honrar seus financiamentos e obrigações, mesmo após o reperfilamento de cerca de 90% de seu endividamento financeiro concluído em maio de 2025. O plano não inclui créditos tributários ou trabalhistas. A Vestas, principal cliente da Aeris, não comentou sobre o assunto.
O desfecho da recuperação extrajudicial da Aeris Energy dependerá da ratificação do plano por parte dos acionistas em assembleia a ser marcada e do atingimento da adesão de mais da metade dos credores em até 90 dias, conforme o compromisso da empresa. Além disso, a evolução das discussões sobre as 'interferências regulatórias sobre o preço da energia renovável' e a frequência dos 'cortes de geração renovável' (curtailment) serão cruciais para o cenário futuro do setor eólico brasileiro.
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