Foco em 2027 será em produtos de maior valor agregado, diz presidente da Usiminas

O diretor-presidente da Usiminas, Marcelo Chara, disse que o foco de atuação em 2027 está em atender segmentos de maior valor agregado. “Vamos focados em aumentar margens nos segmentos de maior contribuição e esperamos uma recuperação nos segmentos em que há queda da entrada de produtos a preços subsidiados”, afirmou o executivo. Para o quarto trimestre, a companhia espera ver uma certa estabilidade, com uma desaceleração sazonal do mercado interno sendo compensada por maiores exportações. Ao mesmo tempo, disse Chara, é esperada uma maior pressão sobre margens, devido ao aumento nos custos de matérias-primas, insumos e energia. Usiminas reverte prejuízo e lucra R$ 243 milhões no 3º trimestre Usiminas planeja investimentos de R$ 3,5 bilhões “Com a perspectiva de redução dos embarques, vamos preservar reservas minerais e reduzir custos”, disse Chara. O executivo acrescentou que a sazonalidade e as férias coletivas limitam a capacidade de elevar os preços do aço. A Usiminas pretende buscar uma recomposição de custos nas negociações comerciais, com foco na venda de produtos de maior valor agregado e mais rentáveis nas vendas. Tensões geopolíticas A persistência das tensões geopolíticas mundiais associada à volatilidade dos mercados e aos elevados custos energéticos continuam pressionando a atividade econômica e a inflação, e exigem uma visão cautelosa para os próximos trimestres, afirmou Chara. “Esse cenário cria um ambiente menos favorável à estabilização da economia global e brasileira”, disse Chara. Ele observou que, no Brasil, o mercado do aço e de produtos manufaturados enfrenta um desequilíbrio estrutural relevante. As importações de aço a preços desleais continuam em nível elevado, com taxa de penetração de 18,5% nos primeiros nove meses do ano. “Em paralelo, o setor enfrenta a invasão de produtos manufaturados com elevado nível de aço contido, como automóveis, geladeiras e outros produtos”, disse Chara. De acordo com dados da Anfavea, entidade que reúne as montadores, o país importou 255 mil veículos de janeiro a setembro, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025. O Instituto Aço Brasil estima que as importações diretas e indiretas de aço devem alcançar 12 milhões de toneladas no país neste ano. Chara observou que esse volume corresponde a cerca de 57% do consumo aparente brasileiro de aço, com impactos diretos na cadeia industrial e nos empregos gerados no país. Chara disse ainda que as medidas adotadas pelo governo brasileiro ao longo do ano contribuíram para reduzir as importações de aço em comparação com 2025, mas ainda assim as importações estão acima da média histórica. Além disso, a redução das importações de produtos da China, agora taxadas, foram compensadas em parte com maior entrada de produtos de outras origens, como Coreia do Sul e Egito. “O Brasil precisa avançar nas medidas ‘antidumping’. Para isso, precisa concluir a investigação sobre os preços do laminado a quente importado. Confiamos que haverá avanços na definição dessas medidas na próxima semana”, disse Chara. O executivo defendeu o reforço da fiscalização das medidas já adotadas e avanços nas medidas adicionais, que contenham a entrada de aço de outros país e a importação indireta por meio de produtos manufaturados. “Isso é essencial para assegurar condições mais equilibras de competição”, afirmou Chara. O executivo defendeu ainda a promoção de condições macroeconômicas mais favoráveis ao surgimento de um novo ciclo de desenvolvimento econômico sustentável junto com a reforma tributária. Chara comemorou a decisão do governo de realizar o primeiro leilão de gás natural, em outubro, para aumentar a competitividade e reduzir o custo da energia. “É fundamental continuar com essa agenda”, disse Chara. Diretor-presidente da Usiminas, Marcelo Chara Nilani Goettems/Valor

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