O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram propostas para renegociar dívidas, ampliar investimentos em saúde, melhorar a segurança pública e fortalecer programas sociais no último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026. O encontro foi realizado nesta sexta-feira (23), pela TV Globo, a dois dias da votação. O debate começou com discussões sobre infraestrutura e desenvolvimento regional, passou por temas como salário mínimo, educação e endividamento das famílias e terminou com uma série de acusações sobre corrupção e patrimônio. Lula concentrou suas intervenções na defesa dos programas implementados durante seu governo e prometeu ampliar iniciativas de transferência de renda, educação e crédito. Flávio apresentou compromissos voltados à redução de impostos, renegociação de dívidas, endurecimento das penas e maior participação da iniciativa privada em projetos de infraestrutura. Leia também ASSISTA: Lula x Flávio: o que revelam as últimas pesquisas a dois dias da eleição? A diretora-executiva do Instituto Ideia, Cila Schulman, analisa o empate técnico entre os candidatos, o perfil dos eleitores e os fatores que ainda podem influenciar o resultado do segundo turno Dívida de 100% do PIB: o risco fiscal que espera Lula ou Flávio em 2027 Economista vê risco de deterioração das contas públicas e avalia que propostas de Lula e Flávio Bolsonaro ainda não enfrentam o crescimento das despesas obrigatórias Apesar das diferenças, os candidatos assumiram compromissos semelhantes em alguns pontos. Ambos defenderam reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação e concordaram com a proposta de transporte público gratuito aos fins de semana. Renegociação de dívidas e economia O endividamento dos brasileiros foi um dos temas mais explorados pelos candidatos. Lula defendeu uma nova etapa do Desenrola, programa de renegociação de dívidas, e afirmou que o governo pretende realizar leilões para adquirir débitos bancários com descontos que, segundo ele, podem chegar a 95%. O presidente disse que a iniciativa poderá movimentar até R$ 150 bilhões e destacou medidas de renegociação e perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs). Flávio Bolsonaro, por sua vez, prometeu transformar a Caixa Econômica Federal no chamado Banco da Prosperidade. A proposta prevê a compra de dívidas de pessoas físicas e empresas para refinanciamento em condições mais favoráveis. O que Flávio poderia fazer com um Congresso mais à direita em 2027 O senador também prometeu suspender temporariamente os pagamentos em até seis meses para pessoas físicas e um ano para pessoas jurídicas. Segundo ele, a redução dos juros permitiria diminuir o valor das parcelas e recuperar a capacidade de consumo. Na discussão sobre as contas públicas, Flávio criticou o crescimento da dívida e prometeu reduzir despesas e impostos. Lula defendeu a expansão da atividade econômica como caminho para diminuir o peso do endividamento público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Segurança pública Na segurança, Flávio reafirmou a proposta de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas. O candidato também defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos, chegando a 14 anos em casos como estupro. Prometeu endurecer as penas para crimes patrimoniais, estabelecer punições mais severas para integrantes de facções e adotar a castração química para condenados por crimes sexuais. Lula ou Flávio: quais são as propostas para tirar os brasileiros das dívidas? Lula voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública e a criação de um ministério específico para a área. O presidente afirmou que pretende fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal e ampliar a coordenação das ações de combate ao crime organizado. Os dois também divergiram sobre a atuação policial e as estratégias para recuperar territórios controlados por facções e milícias. Saúde e SUS O financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) provocou outro confronto. Lula questionou se um eventual governo Flávio reduziria os investimentos federais na saúde. O senador negou a intenção de privatizar o sistema e prometeu manter os recursos públicos, com mudanças na gestão. Flávio anunciou que pretende atualizar a tabela de remuneração dos procedimentos do SUS, ampliar a capacidade de atendimento do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e refinanciar dívidas das Santas Casas. Também defendeu investimentos em equipamentos para preservação de órgãos destinados a transplantes e medidas para reduzir as filas de consultas, cirurgias e tratamentos especializados. Lula destacou o papel do SUS no enfrentamento da pandemia de Covid-19 e defendeu os investimentos realizados durante seus governos. Exército do Lula e Tropa do Flávio: como lógica do BBB chegou na eleição presidencial Educação: ensino integral e auxílio-creche Na educação, Lula prometeu ampliar o ensino integral até alcançar 100% das escolas até o ensino médio. O presidente também anunciou a intenção de universalizar o Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio e estender o benefício ao ensino superior. Flávio garantiu que manterá o Pé-de-Meia e apresentou uma proposta de auxílio-creche para famílias que não conseguirem vagas na rede pública. O benefício permitiria custear matrículas em instituições particulares. O senador também prometeu ampliar a formação técnica no contraturno escolar, com disciplinas voltadas a inteligência artificial, desenvolvimento de aplicativos e programação. Outra proposta é ampliar parcerias entre escolas e empresas e retomar os Jogos Estudantis Brasileiros, incluindo competições de esportes eletrônicos. Salário mínimo, aposentadorias e Bolsa Família Lula defendeu a política de valorização do salário mínimo, com reajustes superiores à inflação, e afirmou que pretende manter os ganhos reais para trabalhadores e beneficiários da Previdência. Flávio assumiu compromisso semelhante, garantindo que reajustará o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação. Também afirmou que não pretende privatizar Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal ou Petrobras. Os candidatos concordaram ainda com a gratuidade do transporte público aos fins de semana. Lula apresentou a medida como forma de garantir lazer aos trabalhadores, enquanto Flávio declarou apoio à proposta. No Bolsa Família, o senador prometeu reajustar os pagamentos e permitir que beneficiários mantenham temporariamente o auxílio mesmo após conseguirem emprego formal ou abrirem um negócio. Também defendeu mecanismos para facilitar o retorno ao programa em caso de perda de renda. Infraestrutura e desenvolvimento regional A infraestrutura abriu o debate, com Flávio questionando Lula sobre a quantidade de obras paralisadas no país. O senador prometeu concluir a Transnordestina e as ferrovias de integração Leste-Oeste e Centro-Oeste, além de ampliar concessões rodoviárias e portuárias. Defendeu ainda a isenção de pedágio para motociclistas nas novas concessões federais. Lula respondeu destacando os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo o presidente, o programa prevê R$ 1,7 trilhão em investimentos, dos quais quase R$ 800 bilhões já teriam sido executados. O petista citou obras ferroviárias, rodoviárias, portuárias e de mobilidade urbana, incluindo a Transnordestina, a BR-319 e o túnel Santos-Guarujá. Para o Norte, Flávio prometeu ampliar o saneamento básico, apoiar a pavimentação da Transamazônica e preservar a Zona Franca de Manaus, com a possibilidade de atrair investimentos em data centers e fertilizantes. No Nordeste, anunciou a intenção de construir uma ligação ferroviária entre Salvador e São Luís, passando por capitais da região, para estimular o turismo. Lula destacou os investimentos em universidades, institutos federais, hospitais e infraestrutura no Nordeste. Na pauta ambiental, defendeu a economia verde, a preservação da floresta amazônica e a atuação do Fundo Amazônia. Acusações e corrupção marcaram a reta final A parte final do debate teve menos espaço para propostas e foi dominada por acusações recíprocas envolvendo patrimônio, relações com empresários e o Banco Master. Lula questionou Flávio sobre suas relações com pessoas associadas ao banco e mencionou uma disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O senador negou irregularidades e devolveu as acusações, cobrando explicações sobre o patrimônio do presidente e de seus familiares. Os dois também discutiram o financiamento de produções audiovisuais, supostos benefícios concedidos a empresários e a divulgação de informações patrimoniais. Lula propôs que ambos apresentassem suas contas bancárias e documentos financeiros à Justiça. Flávio afirmou que não tem patrimônio oculto e cobrou a abertura de informações sobre despesas da Presidência. O debate encerrou a série de confrontos televisionados entre Lula e Flávio Bolsonaro antes da votação de domingo (25), quando os brasileiros escolherão o presidente da República para o mandato de 2027 a 2030. The post Lula e Flávio fazem promessas sobre dívidas, segurança e saúde no último debate appeared first on InfoMoney.
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