A Itália aprovará nesta terça-feira novas medidas de segurança voltadas a menores de idade, anunciaram autoridades, após dias de tumultos em que manifestantes entraram em confronto com a polícia, saquearam lojas e depredaram propriedades. Pelas novas regras, as forças de segurança poderão manter pessoas menores de 18 anos detidas em delegacias por até 12 horas, mesmo que não tenham cometido nenhum crime, desde que existam evidências de que representam um perigo, afirmou o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini. Roma também deve enviar mais 500 soldados do Exército para Milão, em meio ao temor das autoridades de novos distúrbios durante manifestações previstas para sábado. “Queremos intervir rapidamente junto aos jovens”, disse Salvini à emissora de rádio RTL antes de uma reunião ministerial convocada para esta terça-feira para aprovar as medidas. Meloni aprovou uma série de leis de segurança Centenas de manifestantes encapuzados, muitos deles supostamente menores de idade, incendiaram lixeiras e saquearam lojas nos centros de Milão e de outras cidades durante o fim de semana, após manifestações inicialmente pacíficas contra a precariedade dos serviços públicos e o aumento do custo de vida. Os distúrbios lembraram os tumultos na vizinha França, onde centenas de milhares de pessoas foram às ruas no sábado, em alguns dos protestos mais violentos do país em anos. A primeira-ministra Giorgia Meloni aprovou uma série contínua de medidas de endurecimento da segurança desde que assumiu o cargo, em 2022. Críticos afirmam que essas iniciativas pouco fazem para enfrentar as causas subjacentes da criminalidade e da desordem pública. A população carcerária da Itália aumentou mais de 17% em quatro anos, o equivalente a quase 10 mil pessoas, segundo dados do governo. Marina Prosperi, advogada criminalista em Bolonha, afirmou que o principal efeito dos diversos novos crimes incluídos na legislação pelo governo foi tornar os protestos mais arriscados, especialmente para imigrantes que buscam autorização de residência ou cidadania. Os novos distúrbios ocorrem em um momento em que a disparada dos custos de energia dificulta os planos de Meloni de financiar cortes de impostos e aumentos de gastos no orçamento do próximo ano, o último antes das eleições nacionais previstas para o fim de 2027. A Itália enfrenta uma concentração crescente de riqueza entre os mais ricos e uma estagnação dos salários reais dos trabalhadores de renda baixa e média. Os 10% mais ricos dos domicílios italianos detinham 60% da riqueza líquida das famílias em 2023, cerca de 7 pontos percentuais a mais do que em 2010, segundo o Banco da Itália. O subsecretário do Ministério do Interior, Nicola Molteni, disse à emissora Radio 24 que o governo aprovará um “decreto de emergência” para implementar imediatamente regras de segurança que vêm sendo debatidas no Parlamento. As medidas devem incluir a proibição de que jovens participem de eventos ou entrem em áreas determinadas caso haja motivos para acreditar que possam colocar em risco a segurança pública. “Há pessoas no TikTok dizendo que planejam saquear lojas em Como no sábado. Não podemos esperar até a tarde de sábado para intervir”, afirmou Salvini.
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