Brasileiros no cripto superam bolsa, mas falta entendimento sobre ativos

A Anbima divulgou a edição mais recente do Raio X do Investidor Brasileiro, indicando um crescimento significativo na adoção de criptoativos no país. A fatia de investidores com cripto subiu para 11%, contrastando com os 7% que tinham ações em 2021, evidenciando uma rápida popularização. Contudo, a facilidade de acesso via aplicativos não foi acompanhada por um aprofundamento do conhecimento: apenas 26% dos investidores buscam orientação profissional, enquanto a maioria se informa por canais digitais e 9% já utilizam assistentes de inteligência artificial. A falta de distinção entre ativos de valorização, como Bitcoin, e stablecoins, que funcionam como reserva de valor atrelada ao dólar, é um ponto crítico. As stablecoins representam a maior parte do volume declarado de compra e venda desde 2019, sugerindo um uso focado em transações e proteção cambial, e não em especulação de preço. O ambiente digital, assim como na informação, removeu filtros para o acesso ao dinheiro, transferindo o risco e a responsabilidade da segurança para o próprio investidor. A discussão sobre regulação do setor ganha relevância neste cenário, buscando proteger os investidores, mas sem resolver a lacuna de conhecimento. Iniciativas como testes de perfil e certificações para assessores de investimento, criadas em 2024 pela entidade qualificadora, visam mitigar essa questão, especialmente com o avanço da IA na montagem de carteiras diversificadas.

Análise

O desfecho da discussão sobre a regulação do setor de criptoativos no Brasil, incluindo a definição de regras para a separação de fundos de clientes e a exigência de provas de reservas, será crucial. A evolução das diretrizes educacionais e das certificações para assessores, bem como a efetividade de testes de perfil de risco em plataformas, também determinará a maturidade e segurança do mercado.

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