Para as imobiliárias, anunciar na internet virou uma linha de custo difícil de medir. Nos portais líderes do setor de classificados, a visibilidade de um anúncio passou a depender do plano contratado, e nem sempre a empresa consegue saber quantos contatos cada imóvel gerou e quanto cada um custou de fato. É sobre essa conta que o MUDAI, portal imobiliário lançado em São Paulo, construiu o seu modelo de receita. A imobiliária parceira paga de acordo com a quantidade de imóveis que publica, e nenhum anúncio pode comprar uma posição melhor nos resultados. Não há planos de destaque. A ordem da busca é definida pela relevância para quem procura, a partir da localização, do tipo de imóvel, da faixa de preço e da qualidade das informações do anúncio, com as mesmas regras de exibição para todos os anunciantes. "Quem anuncia deveria pagar pelo que publica, não para passar na frente do vizinho. No MUDAI, nenhum anúncio compra posição", afirma a empresa. O modelo também reduz o trabalho operacional da imobiliária. Os imóveis entram no portal diretamente a partir do sistema de gestão (CRM) de cada empresa, pelo mesmo arquivo XML que esses sistemas já geram para outros canais. Preço, fotos e disponibilidade são atualizados de forma automática, e cada imobiliária ganha uma página própria, com sua marca e todo o seu estoque. Do lado da demanda, o contato do comprador vai apenas para a imobiliária responsável pelo anúncio, por formulário ou WhatsApp, direto pelo CRM ou IA de atendimento. "A imobiliária já tem o estoque organizado no próprio sistema. O MUDAI lê esse estoque e coloca na vitrine, sem trabalho extra para a equipe", explica a empresa. O lançamento ocorre em um momento de demanda aquecida. No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados declararam intenção de comprar um imóvel nos próximos 24 meses, maior patamar da série iniciada em 2019, segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), elaborados pela Brain Inteligência Estratégica. Entre os interessados, 10% já buscam imóveis pela internet. O crédito acompanha o movimento: de acordo com a CBIC, o financiamento imobiliário pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) cresceu 12% no primeiro semestre do ano. A operação inicial está concentrada em São Paulo e na região metropolitana. Na capital, foram vendidas 121,1 mil unidades residenciais novas entre setembro de 2025 e agosto de 2026, segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo). Os próximos passos do MUDAI envolvem ampliar a base de imobiliárias parceiras e a integração com os principais sistemas de gestão usados pelo setor. "Queremos que a imobiliária seja vista pelo que ela tem de melhor: os imóveis e o atendimento. O tamanho do plano não deveria decidir isso", conclui o MUDAI. Imobiliárias interessadas podem conhecer o modelo na página do MUDAI para imobiliárias.
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