A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) divulgou, durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica (COP17) em Yerevan, que cinco das oito regiões de recifes de coral analisadas no Brasil foram classificadas como "criticamente ameaçadas", o nível mais alto da lista vermelha de ecossistemas. No total, os recifes brasileiros se estendem por quase 3 mil quilômetros da costa atlântica, ocupando cerca de 1.100 km², o que corresponde a 0,6% da extensão global de recifes. A avaliação global da IUCN mostrou que 96% dos ecossistemas estudados foram considerados criticamente ameaçados, sendo o aquecimento dos oceanos a principal pressão. Segundo a bióloga Beatrice Padovani Ferreira, professora titular do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coautora do estudo regional, eventos de calor extremo ocorridos em 2019‑2020 e 2024 desencadearam graves episódios de branqueamento e mortalidade de corais. Ela ressaltou que, apesar do cenário alarmante, os recifes ainda têm potencial de recuperação se as pressões locais – qualidade da água, sedimentos, nutrientes, poluentes e manejo pesqueiro – forem mitigadas. Áreas protegidas como Abrolhos, Atol das Rocas e Fernando de Noronha apresentaram indicadores ecológicos melhores, embora também sofram com o aquecimento oceânico. A IUCN alertou ainda para o aumento de empreendimentos costeiros sem infraestrutura de saneamento adequado, que pode limitar ainda mais a capacidade de recuperação dos recifes.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real